sexta-feira, 16 de março de 2012

Paul Celan, um realista singular

A dor dorme com as palavras, de Mariana Camilo de Oliveira, é destes ensaios que conseguem simultaneamente ser um trabalho feito com paixão e com rigor. Não é fácil estudar a poesia de Paul Celan, um dos melhores poetas do século xx, mas também, reconhecidamente, um autor complexo, que demanda maturidade e estudo daqueles que se aproximam de sua obra. Neste ensaio, percebemos como sua autora enfrenta essa dificuldade aliando disciplina e apurado estudo das fontes primárias e secundárias a um enorme respeito aos poemas. O resultado é uma escrita enxuta, econômica, que, sem mimetizar seu autor-tema, permite uma inteligente aproximação reflexionante. O teórico e crítico literário tem que ser capaz de abrir portas, de iluminar, de perspectivar a obra estudada. Tudo isto acontece neste ensaio, sem a pretensão ou o vão desejo de ter encontrado alguma maravilhosa “chave de interpretação”. Para um autor que desfaz a hermenêutica, tentar enfrentá-lo com a ideia de decifração seria a receita certa para o fracasso.

Antes, Mariana Camilo de Oliveira propõe uma série de movimentos de aproximação e distanciamento do texto, desenhando uma coreografia de leitura que aos poucos leva o leitor ao âmago de várias questões fundamentais quando se trata dos poemas de Celan. Ela evita o biografismo, mas sabe respeitar o teor testemunhal da obra de um poeta que modelou seus poemas com a argila, a terra e as cinzas da época que lhe foi dado viver.

(...)

Márcio Seligmann-Silva, texto de apresentação de A dor dorme com as palavras, de Mariana Camilo de Oliveira. 


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