sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Shazam




Que a fantasia seja colorida. Ou de outro planeta. Ou mesmo se algum acidente bizarro – como a picada de um inseto radioativo – de repente acontecer.
O mais importante é também o mais fácil: a identidade secreta. Quando ela disfarça a fantasia, qualquer um de nós pode ser o herói. Às vezes basta apenas descobrir qual a palavra mágica, e – shazam! – revela-se num raio a chave de todos os abracadabras. Então partimos invulneráveis num voo infinito, consertando o mundo e as injustiças.
Talvez cada um tenha sua própria e única palavra (repito baixinho, shazam!, ou exclamo em alto e bom som chamando a chave que não acho, ou grito em silêncio, shazam, shazam!, enquanto não aprendo o som exato, antes que seja tarde), e possa o impossível ao dizê-la. Talvez bastasse saber qual fosse, sem jamais proferi-la – e mesmo assim tudo estaria dito nesse silêncio contido, todas as canções e frases e acontecimentos e histórias, todas as combinações de possibilidades e todos os universos paralelos ou alternativos, reais e imaginários, que pudessem ser narrados. Talvez no silêncio desta palavra jamais descoberta esteja o instante mágico da epifania ou da transformação que nos revela por dentro: como não se diz.


Trecho do livro Shazam.

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