segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Onde terminam os dias


O novo livro de contos do premiado escritor mineiro Francisco de Morais Mendes traz a prosa certeira de um mestre do gênero, que costura seus espaços de memória e suas experiências de infância com reflexões sobre o ofício de escrever e sobre as relações pessoais num texto denso, intenso e original. O ambiente é urbano, o cenário é o humano, o tempo é paralelo e a linguagem apurada dá sentido ao conjunto. O leitor que termina o livro nunca será o mesmo que o começou, como só as grandes obras são capazes de fazer.

Leia Para evitar Leila, conto de Onde terminam os dias, de Francisco de Morais Mendes:

Onde terminam os dias

Os doze nomes e outros contos


Esta coletânea de contos – que sucede o aplaudido romance Os unicórnios – vem confirmar o talento de Marcelo Cid como um dos mais interessantes e inventivos escritores brasileiros da atualidade. Seu novo livro se destaca pelo universo ficcional riquíssimo, tramas fantásticas, e pela ágil transgressão de gêneros e papéis, aliada ao pleno domínio da intemporal arte de narrar.

Leia O hérmio, conto de Os doze nomes e outros contos, de Marcelo Cid.

Os doze nomes e outros contos

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Luzia


Um papel importante espera Luzia nos palcos da vida. Riscando histórias no seu caderno e arriscando-se nos palcos, ela percebe que, em vez de viver assombrada, deve ser mais rápida que seus próprios medos. Ao realizar testes para um filme, Luzia se lança no mar aberto da vida: nos braços de Joaquim Marino redescobre o próprio corpo, nas ruas de Esperanza encontra novas recordações para reescrever seu passado.

Susana Fuentes tece uma narrativa delicada, em que menina e mulher se fundem num passado e presente que se querem novos, num novo futuro. Entre ler, escrever, atuar e viver, essa personagem embarca numa viagem íntima que a levará a reinventar a sua inocência ferida na infância e a redescobrir sua força.

Leia um trecho de Luzia, de Susana Fuentes:

Luzia

Na barriga do boi


Com ritmo fluido e imaginário vibrante, o livro de estreia de Zé McGill ousa na experimentação, mesclando vozes, estilos e temas de forma criativa e original. Com um tom às vezes irônico ou mordaz, estas pequenas histórias se inscrevem na linha das obras de Twain, Fante e Bukowski – autores que sabem, como ninguém, trazer vida a cada frase destilada no papel. Numa escrita desnudada, sem afetações, os contos de McGill conquistam o leitor de uma só tacada e – das primeiras linhas aos desfechos surpreendentes – devem ser lidos num só fôlego.

Leia um conto de Na barriga do boi, de Zé McGill:
Na barriga do boi

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Toda a verdade sobre a tia de Lúcia


Embora guardem características que configuram o apreciado universo ficcional da autora, os contos deste livro trazem uma Sonia Coutinho diferente e renovada. Uma das novidades é a constante presença, como personagens, de figuras das artes e da literatura como Joseph Beuys, Van Gogh e Kasimir Maliévitch; ou Clarice Lispector e Vladimir Maiakóvski, entre outros. Entre contos longos, surgem alguns que se estendem por apenas duas ou três linhas. É a nova microficção de Sonia Coutinho, às vezes escrita diretamente nas redes sociais da internet, e que ela publica pela primeira vez. Experimental, mas de leitura fácil e atraente, “Toda a verdade sobre a tia de Lúcia” é um convite irresistível para quem gosta de literatura. Vale a pena conferir.

Leia um conto de Toda a verdade sobre a tia de Lúcia, livro de Sonia Coutinho.

Toda a verdade sobre a tia de Lúcia

O afeto


Por trás de uma vida confortável, sem sobressaltos, Denise esconde uma tristeza aparentemente sem sentido. A dor silenciosa a leva a tentar apagar a própria existência – embora falte coragem para levar o ato até o fim. Um dia, ao arrumar gavetas, Denise encontra um caderno que a faz rever, como num filme, imagens e emoções daquela época: o dia a dia antes e depois da separação dos pais, o vazio e a solidão da mãe, a relação com as amiguinhas da escola e do prédio, com o irmão, com pai. Por entre desenhos do Snoopy e músicas dos Menudos, o caderno revela a violência sutil de um mundo de diferenças sociais e econômicas, de vazios e afetos reprimidos. Um mundo regulado por leis invisíveis, porém rígidas – e incompreensíveis demais aos olhos infantis.

Leia abaixo um trecho de O afeto ou caderno sobre a mesa, de Sabina Anzuategui.

O afeto

Revista Lado 7 – número 2

Anotem nas agendas: o lançamento da Revista Lado7 número 2 será na próxima terça-feira dia 25 de outubro, na Travessa do Leblon. A revista conta com textos de:

Lu Menezes
Marcos Siscar
Laura Erber
Paulo Stocker
Marcílio França Castro
Luís Quintais
Júlia Studart
Raúl Antelo
Masé Lemos
Luiza Baldan
Felipe Scovino
Sergio Medeiros
Jacques Ancet
invasores de corpos
Manoel Ricardo de Lima
Roberto Alvim
Pedro Süssekind
Edward Lear
Eduardo Jorge
Mariano Marovatto

Além da revista, será lançada uma nova série de títulos com o melhor da ficção brasileira atual.
Esperamos todos vocês.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

OWNED



OWNED - Um novo jogador, de Simone Campos, é um livro-jogo que discute e parodia a cultura de videogames. O OWNED tem uma estrutura de game, à moda daqueles livros-jogos infanto-juvenis (Enrola e Desenrola, Aventuras Fantásticas) e de Cortázar (O jogo da amarelinha). Nele, o leitor vai entrar na pele de André, técnico de informática aficionado por videogames cuja vida começa a virar um videogame. André vai tentar conquistar pelo menos uma dentre sete mulheres, o que vai afetar sua busca e a definição de sua personalidade. O livro tem 18 finais diferentes, e inclui ainda um glossário, um guia de estratégia, e textos extras.

Leia um trecho de OWNED:
Terça-feira - tarde

Por mais que houvesse coisas a fazer no boxe, eu não conseguia me concentrar. Não tinha um chefe me olhando.

Fiquei repassando tudo o que tinha me acontecido. Numa situação destas, qualquer pessoa normal procuraria um psicólogo. Mas eu não tenho dinheiro para uma coisa dessas. Também não tenho a quem pedir indicação. Além disso, é evidente que não sou normal. Tenho mania de conversar comigo mesmo simulando outras pessoas, por exemplo:

– Então, doutor. Uma pessoa normal teria vindo falar com o senhor, mas eu não vim.

– É bem mais barato do que uma sessão de verdade.

– Por favor, não concorde comigo. É perturbador.

– Eu posso concordar com você se isso te fizer sentir desconforto.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Chove nos campos de cachoeira

A primeira edição de Chove nos campos de Cachoeira foi publicada em 1940, depois que o romance ganhou o prêmio “Dom Casmurro” oferecido pela Editora Vecchi. O prêmio e a publicação deste seu primeiro livro abriram caminho para que Dalcídio Jurandir se tornasse um dos mais importantes autores brasileiros do século XX, com uma obra que revela o universo urbano e provinciano de uma região afastada dos grandes centros, ao mesmo tempo em que toca naquelas questões universais do ser humano que permeiam toda boa literatura.

A este romance seguiram-se outros nove para formar uma série que ficou conhecida como “Extremo-Norte”, reunindo as principais obras do autor.

Reeditado em 1976 pela Editora Cátedra e esgotado desde então, Chove nos campos de Cachoeira chega agora às mãos dos leitores do século XXI numa versão inédita, preparada a partir de anotações, correções e emendas feitas pelo próprio Dalcídio num exemplar da primeira edição – localizado recentemente na Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, para onde foi doado o acervo do escritor – após minucioso cotejo e preparação do texto pela professora e pesquisadora Rosa Assis.
Como aquelas obras clássicas que sobrevivem ao tempo, Chove nos campos de Cachoeira é um romance que vai muito além do regionalismo (presente tanto no estilo quanto no universo retratado pelo autor), revelando novos e diversos sabores aos leitores de hoje.


"Quando as chuvas voltavam, então era que d. Amélia sentia mais desejos de levar Alfredo para Belém. Já está crescido, ele, mas tudo pode acontecer com aquelas águas que iam e vinham, mornas e silenciosas. Os jijus vinham na enchente e para Alfredo não pareciam peixes, pareciam filhos de sapo e de cobra. No chalé não se comia daquele peixe porque era como se comesse lama. Mas Alfredo gostava das grandes chuvas. Podia ter medo mas era enorme a sensação de ouvir, uma noite, o ronco dum jacaré debaixo da casa. As montarias andavam pelos campos. Didico ia com o seu pequeno barco pegar porfia com o barco do Roldão, na lagoa atrás da casa do Dr. Adalberto. Aqui, deste lado de Cachoeira, não se andava mais a pé, se navegava. 

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Versos desgarrados (Correio Braziliense)

Por Felipe Moraes
Correio Braziliense - 18/09/2011

O título do novo livro de poesia de Abel Silva inspira mais do que um par de trocadilhos engraçados. poemAteu (7Letras), designado assim mesmo, com apenas uma letra em maiúsculo, vem sendo escrito há três anos, com uma entrega sem reservas do autor carioca. “Ao escrever o livro, notei que tudo na minha vida foi a palavra. Toda a minha força, a minha expectativa, todos os lucros, todas as vitórias, todas as derrotas, todos os tropeções vieram da palavra. Para mim, ser poeta não é uma escolha”, diz ele. Abel talvez seja mais conhecido pelo trabalho como compositor de canções populares, como "Jura secreta", interpretada por Simone, "Sangue e pudins", por Fagner, e "Festa do interior", em parceria com Moraes Moreira. Na coletânea inédita, o letrista confirma a vocação primeira: a do verso, seja ele musicado ou não.

Ele escreve praticamente todos os dias, mas sem a carga de seriedade de um projeto com prazos rígidos ou temáticas inflexíveis. “Vou fazendo e relendo. Até que os poemas vão, naturalmente, me levando para algum tema, alguma estrutura, alguma espinha dorsal. Pode vir da situação política do país ou de algum fato pessoal”, descreve.

No site da editora, poemAteu é comprimido em 14 faixas—como um disco gratuito —, com poemas lidos por Abel: complemento sonoro de uma produção iniciada em silêncio. “Digo que é para o ouvido e para os olhos. A poesia escrita é para a solidão do olhar do leitor. A pessoa sozinha lendo o poema que alguém escreveu sozinho”, explica. As imagens evocadas por ele se entremeiam em galhos, flores, raízes e rios, num pessimismo que prefere a melancolia à simples ironia: “Eu sinto a mágoa de um mundo gasto/Com mais chorume que água”, ele lamenta em Paisagem.

 

satara