segunda-feira, 30 de maio de 2011

"Os unicórnios" no Prêmio São Paulo de Literatura 2011

"Os unicórnios", de Marcelo Cid, é um dos 10 finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura na categoria autor estreante. Os vencedores nas categorias livro do Ano e autor estreante serão conhecidos durante a cerimônia de premiação no Museu da Língua Portuguesa, em agosto.


No romance de Marcelo Cid, o professor de literatura francesa Artur Borges perde os dois mil seiscentos e trinta e quatro livros da sua biblioteca quando um incêndio lavra seu apartamento. Os dois unicórnios que encimavam sua estante são os únicos sobreviventes. Para refazer a sua coleção, ele decide montar uma insólita Biblioteca de Livros Furtados. Como um gatuno refinado, este narrador-personagem tem um código de ética: escolher apenas obras-fetiche para subtrair das estantes alheias.

Leia um trecho de Os unicórnios, de Marcelo Cid:

Bibliotecas são coisas vivas, crescem acompanhando nossa vida, nossas esperanças, nossos amores e desilusões. Abrigam, como embaixadores do passado, aqueles livros que ganhamos de pessoas queridas, os que herdamos, os que compramos, os que esquecemos de devolver, até os que roubamos... De qualquer maneira, são sempre retrato de quem as montou, não só nos livros contidos como também na maneira como estão dispostos nas estantes. Algumas pessoas organizam seus livros por assunto, outras pelo nome ou sobrenome do autor, outras não os arrumam de maneira alguma, deixando ao ziguezague dos olhos ou ao acaso a tarefa difícil de recuperar algum volume.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A ocasião faz a culpa, de Sérgio Bruno Martins



“Não estou roubando dinheiro”, explicou-se o artista pernambucano Lourival Cuquinha, “o que eu estou fazendo é uma operação de câmbio invertido.” Cuquinha foi a primeira pessoa a interagir “plenamente” com a versão londrina de Ocasião (1974, 2004, 2008), de Cildo Meireles, durante sua abertura, em outubro de 2008, na Chelsea School of Art & Design.

Continue lendo A ocasião faz a culpa, de Sérgio Bruno Martins, na Revista Lado7 – lançamento terça feira dia 31 de maio. 

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Pedro Franz – Revista Lado7


Leia uma prévia do terceiro volume da HQ " Promessas de amor a desconhecidos enquanto espera o fim do mundo", de Pedro Franz, no número de estreia da Revista Lado7.

Ramerrão, de Ismar Tirelli Neto




Que o leitor não se deixe (des)enganar: são muitas as leituras que se abrem neste Ramerrão de Ismar Tirelli Neto. Em meio a sutis modulações que nos levam ora para um tom epistolar, ora para o verso da prosa, e em outras horas para algum lugar que fica além do mero poema, o autor mostra que é mestre em fugir do óbvio, em criar novos sentidos com o fino artesanato de quem sabe brincar a sério com as palavras. Cada cena, sequência e corte deste ramerrão nos conduzem cinematograficamente pelos cenários mais diversos: a casa, o quarto, o hotel, ruas e postais do mundo inteiro, num labirinto de imagens que expõe intimidades – que só podem ser nossas, as desses personagens estranhos embora íntimos. Tendo nas mãos a chave-mestra que o autor nos oferece para abrir as portas dos labirintos da linguagem, podemos encontrar aquela matéria oculta e rara de que é feita a poesia.

Ramerrão será lançado na terça-feira, 31 de maio, a partir das 19h, na Livraria da Travessa Leblon, num evento que marca também o lançamento da revista Lado 7 e dos livros Uma cerveja no dilúvio, de Afonso Henriques Neto; Relógio de pulso, de Ana Guadalupe; Sessentopéia, de Charles Peixoto; Água para viagem, de Lorena Martins, e da segunda edição de A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora, de Gregorio Duvivier.

Leia "O amigo solteiro" – ou ouça o poema na voz de Ismar Tirelli Neto.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora (2ª Edição)

Gregorio Duvivier, mais conhecido pelo seu trabalho como ator, revela seu talento como poeta nas páginas de A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora, já em sua 2ª edição.

No livro, o humor apresenta uma riqueza de nuances, indo do lúdico ao cáustico. Em outros momentos o autor nos brinda com um “delicado toque lírico”, como define Paulo Henriques Britto. Ainda há espaço para brincadeiras com a poesia visual, como nos poemas “a régua e esquadro”. O ecletismo característico da nova geração de poetas brasileiros está presente em A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora. A multiplicidade de referências e os jogos com a linguagem e a forma são traços marcantes dos poemas de Gregorio.

A segunda edição de A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora será lançada na terça-feira, 31 de maio, a partir das 19h, na Livraria da Travessa Leblon, num evento que marca também o lançamento da revista Lado 7 e dos livros Uma cerveja no dilúvio, de Afonso Henriques Neto; Relógio de pulso, de Ana Guadalupe; Sessentopéia, de Charles Peixoto; Ramerrão, de Ismar Tirelli Neto, e Água para viagem, de Lorena Martins.

Água para viagem, de Lorena Martins

A escrita de Lorena Martins é sonora e sensual, tem o doce sabor de saliva da palavra amorosa, tecendo e entretecendo cenas que traduzem uma poesia de beleza singular.




“Livro sentimental, e de exageradas águas: dilúvio, lábios, tempestades, torrentes que batem nas janelas como se fossem portas a lembrar de quem desejamos. Os versos sinalizam: ela se excita com pouco. A poesia sempre foi o mínimo.” – Fabrício Carpinejar.

"Nunca acreditei na poesia classificada por classe social, gênero, raça, cor, religião. Acredito nos bons e maus poetas. Mas percebo que uma coisa não exclui a outra. Ninguém fala de lugar nenhum. É a nossa segunda pele, nossas digitais. A poesia de Lorena deixa claro uma alma feminina, um contínuo viajar num mar sensorial de perfumes, pequenos gestos, sabores, detalhes, interiores. A mulher sente mais. A mulher sente muito. E sente com o corpo. E sente pelos poros. E isso é o tempo todo expresso por Lorena." – Chacal

Leia um poema de Água para viagem

(da sutileza dos poros,
a imersão)


sugiro um mergulho
ou a cáustica fotografia
de meus retalhos
desmesurados
à tua esquina.

sugiro-me assim,
distante.


dos faróis que flertam
com meus insultos olhos,
bebo a metade.

salivo teores
insones

temo voltar.
eu vejo,
cansado
e calado claustro,
o desespero:

diante da porta,
visto
e guardo chuvas.

Água para viagem  será lançado na terça-feira, 31 de maio, a partir das 19h, na Livraria da Travessa Leblon, num evento que marca também o lançamento da revista Lado 7 e dos livros Uma cerveja no dilúvio, de Afonso Henriques Neto; Relógio de pulso, de Ana Guadalupe; Sessentopéia, de Charles Peixoto; Ramerrão, de Ismar Tirelli Neto e da segunda edição de A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora, de Gregorio Duvivier.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Chacal no Prêmio Portugal Telecom 2011


O poeta Chacal é um dos finalistas do Prêmio Portugal Telecom 2011 com o seu último livro  "Uma história à margem. Mais do que uma autobiografia repleta de aventuras, artimanhas e peripécias, a história de Chacal é um verdadeiro manual de sobrevivência da poesia – uma arte vivida, falada, escrita e sentida, que não se pauta pelos padrões comerciais da cultura de massa.

Veja aqui a lista dos títulos que concorrem ao Prêmio Portugal Telecom 2011.

Sessentopéia, de Charles Peixoto



Mais de 25 anos depois da Marmota Platônica, que reunia os textos de suas primeira publicações mimeografadas, Charles Peixoto apresenta esta Sessentopéia de múltiplas faces – todas elas revelando um dos poetas mais inventivos e criativos de nossa língua.

É com o mesmo talento presentes em 1971 em sua estreia com os 100 exemplares de Travessa Bertalha 11 – que ajudou a batizar e a forjar a chamada “Geração mimeógrafo” –, que Charles marca presença novamente em 2011. Entre suas linhas habilmente aliteradas por sinuosas figuras de linguagem, e diante da explosão de sons e ruídos surgidos desde que uma nuvem cigana passou por aqui, podemos ouvir a voz viva do poeta: no verso da margem, oráculo de seu tempo.


Leia – ou ouça – o poema Minha seriedade conjugal é um camelo, de Charles Peixoto

Minha seriedade conjugal é um camelo
o redondo universo azul ainda parece um pavão infantil
massacra menos a presença dela que os multinacionais furacões
                                                            da passividade matrimonial ltda
não faço mais árias longas ou pequenas e contundentes melecas
ando mastigando um chiclete de segunda
tô cometa rabudo sem conexão terra
um gato de rua
um elemento distinto
o quinto dos infernos com programação divina
teias do ofício
sei que no fundo do vício ainda caio na cama
e depois de proclamar minha ressaca universal
saio de pé em pé pelas pedras rio acima
rio abaixo
como um canastrão rola compondo cruas polentas

Maria Laet - revista Lado7




 Maria Laet é a artista plástica convidada para o número de estreia da revista Lado7.

Vem aí....revista Lado7


arte + poesia + contos + quadrinhos + ensaios + dramaturgia em revista 

segunda-feira, 23 de maio de 2011

"Uma cerveja no dilúvio", de Afonso Henriques Neto



“Que negócio é esse de poesia-magia? Bonsbocados de alquimia (introjetar/exsudar paisagens)? Inconsciente de cosmos? Sonhoso selvagem? Dor do imaginário? (Desconhecer é que nos delira?). Seja como for, ainda seguir com o melhor Rimbaud”. – Em Uma cerveja no dilúvio, Afonso Henriques Neto mostra que é muito mais do que um ícone da poesia marginal – e se consagra como uma das vozes mais singulares e originais da poesia contemporânea brasileira.

Afonso Henriques Neto lança o seu  Uma cerveja no dilúvio  na terça-feira, 31 de maio, a partir das 19h, na Livraria da Travessa Leblon.  No mesmo evento, a 7Letras lança a novíssima revista Lado7 e os títulos de poesia Relógio de pulso, de Ana Guadalupe; Água para viagem, de Lorena Martins; Sessentopéia, de Charles Peixoto; Ramerrão, de Ismar Tirelli Neto e a segunda edição de A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora, de Gregorio Duvivier.


Ouça Basta de poesia na voz do próprio poeta.

Basta de poesia

nuvens de cimento não pertencem à paisagem
ventos de granito em discursos descabelados
porque arte não é coisa de amadores
é matéria pra profissional mesmo
assim é melhor botar a juventude pra fora da sala
e do tempo
os jovens costumam delirar demais
pela arte
que no fim das contas é coleção de febres & abismos de transe
vulcões empedrados & fumo gelado pra velhos vagabundos
salvos do incêndio na galeria desesperançada

pois aqui só leva o prêmio quem não apostar porra nenhuma
ou quem mijar de tanto rir da cara
desses senhores que flutuam por entre acervos de museus
e colam maus poetas e artistas amigos em edições de luxo
mais literatura marqueteira nas grandes editoras & feiras
falando da arte como se fosse um empíreo
de fabulações fabulosas a mastigar
solenes voragens de ouro
& brinquedinhos semânticos com palavras estripadas
pelos profissionais das vanguardas
todos criticamente estupidamente bem penteados
em teorias ideologias midiáticas pulsantes
e vai se ver é tudo isso junto mesmo


no fundo a poesia está pouco se lixando
para o lixo que as cidades costumam empilhar
poesia que sempre é chamada para lavar
lençóis nebulosos de epidemias criminosas
mesmo se ninguém saiba que merda de poesia é essa
um áspero lautréamont no semear neblinas negras
(venha venha oh sublime silêncio constelado
para expulsar os demônios e limpar os escarros
desses delírios que vícios escamaram)

Relógio de Pulso, de Ana Guadalupe


O tempo dos relógios não é o tempo dos poemas.
O tempo dos poemas não se mede em relógios, instante súbito e preciso que salta à margem das horas para marcar o que está além do tempo: um sorvete que nunca derrete, o repetente da quinta série, aerogramas jamais enviados pelo correio.
Ana Guadalupe sabe como encontrar esses lugares, coisas e tempos onde ficam guardados os poemas, e sabe como mostrar pra gente. Sabe tratar as palavras com doçura, combinando sabores e ritmos, harmonizando sutis modulações, cativando o leitor com um texto que consegue dizer muito falando pouco, como só quem é poeta sabe fazer.



Relógio de pulso será lançado na terça-feira, 31 de maio, a partir das 19h, na Livraria da Travessa Leblon, num evento que marca também o lançamento da revista Lado 7 e dos livros Uma cerveja no dilúvio, de Afonso Henriques Neto; Água para viagem, de Lorena Martins; Sessentopéia, de Charles Peixoto; Ramerrão, de Ismar Tirelli Neto e da segunda edição de A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora, de Gregorio Duvivier.

Leia dois poemas de Ana Guadalupe:

Sem querer elisa
sem querer elisa
tropeça no tapete
a caminho da cozinha
à meia-noite

sem querer elisa
esqueceu as calcinhas
lavadas no banheiro
há 3 semanas

sem querer elisa
no quarto da frente
borrifa saliva
nas folhas

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Quenga de plástico

Em Quenga de plástico, a ex-atriz pornô, atual dançarina e futura professora de balé Leysla Kedman narra, sem medos e sem pudores, suas peripécias afetivo-sexuais: o encontro com Rony Claus na rodoviária, a paixão fulminante pelo Capitão Renascimento (do peitoral "tropa de elite"), as agruras da convivência com a colega Lurdirinha ou a relação com Maíra, a trava que queria ser a mulher da relação. Destilando ironia e bom humor, Leysla abre suas intimidades aos leitores e mostra que não tem vergonha de explorar os paus alheios nem de levar seus amantes ao amoricídio - sim, Leysla não é inventiva só no sexo: seu texto e seu vocabulário também são perigosas armas de sedução.

Leia abaixo um trecho de Quenga de plástico, romance de Juliana Frank.

Quenga de Plástico

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O tom da infância

A difícil convivência com a mãe superprotetora é o fio condutor de uma narrativa diante da qual é impossível ficar indiferente. Cada cena, cada gesto, cada pequena conquista da menina diante de um mundo muitas vezes hostil nos remete à inocência perdida de uma infância pontuada por dificuldades, mas que deixa uma bela lição de vida, de coragem e de superação.


Leia abaixo um trecho de O tom da infância, de Fany Aktinol

O tom da infância

Quenga de plástico






Neste livro impróprio para menores, a ex-atriz pornô Leysla Kedman narra com os maiores detalhes suas peripécias sexuais, sem medo e sem pudores. O leitor iniciado irá se deleitar com o estilo direto dessa narradora sem meias-palavras, que abre sua vida interior (abre os braços, o coração e as pernas...) com desprendimento para que possamos penetrar nas profundezas de suas intimidades mais recônditas. Destilando ironia e bom humor, Leysla é uma companheira de viagem divertida e deliciosa, uma personagem impagável, moderna e bem resolvida, sem vergonha de explorar os paus alheios ou de levar seus amantes ao amoricídio - sim, Leysla não é inventiva só no sexo: seu texto e seu vocabulário também são perigosas armas de sedução, e revelam o talento de uma escritora com pleno domínio da arte narrativa, que merece ser descoberta, saboreada e desfrutada pelos leitores de paladar mais exigente.


Quenga de plástico, ou "A filosoquenga do Baixo Augusta" foi a leitura pop indicada pela edição de 1 de maio da Ilustríssima (Folha de São Paulo):

"Por causa da lei Kassab", que acabou com os luminosos das boates, a "filosoquenga" e ex-atriz pornô Leysla Kedman arrumou o emprego de distribuidora de panfletos de inferninhos na rua Augusta. Ali ela conhece o capitão Renascimento ?e outros personagens do submundo paulistano - policiais, putas, dançarinas, motoristas de táxi que pipocam na noveleta de estreia de Juliana Frank, nascida em 1985. Na forma de crônicas que se entrelaçam, a narradora vai entornando pérolas filosóficas sobre as agruras e alegrias da vida no bas-fond. Lançamento na Livraria da Vila (rua Fradique Coutinho, 915), na sexta-feira, às 18h30. (Paulo Werneck)
7Letras | 68 págs. | R$ 28
 

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