quarta-feira, 30 de março de 2011

Lançamento de "Latitudes", de Ana Albrecht





Em Latitudes, retratos e recordações saltam de gavetas perfumadas para o papel, reconstituindo a história dessa ciranda a dois. Ele, Ela, o casal: diferentes olhares se intercalam como os planos de uma narrativa cinematográfica, conduzindo o leitor através de imagens e cenários ao coração de um romance. Delicada e precisa, a escrita de Ana Albrecht intercala coordenadas temporais, geográficas e emocionais numa narrativa que desvela a solidão íntima e a verdadeira partilha do amor.

Leia um trecho de Latitudes, de Ana Albrecht:

Desordem

"Ela senta na escrivaninha diante da janela. A cortina branca de renda balança suavemente com a brisa. Os livros formam uma pilha, os papéis meio desordenados, o lápis preto, a caneta bic, a agenda marcada no dia errado.
Ela não sabe o que faz com a campainha estridente do telefone, com o clique do outro lado da linha quando diz alô, com a voz rouca que fica gravada na secretária eletrônica. Ela não sabe o que faz com a camisola com desenhos cor de laranja e uma frase escrita em inglês. Ela não sabe o que diz quando sai com aquelas pessoas, as palavras grudam em sua garganta.
Ela olha mil vezes antes de escolher uma blusa, suas roupas estão fora de moda.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Madressilvas em Pucón




Uma trilha de vulcões não extintos rodeia Pucón, no Chile. Vulcões em cinza, silenciosos e invisíveis, como as emoções, que pulsam vivas por debaixo da pele. E que podem nos surpreender a qualquer momento com novas explosões. Nesse cenário de risco, uma escritora percorre o labirinto da escrita, descobrindo uma história de amor que vai muito além dos seus desejos.
Em cartas, contatos e movimentos inesperados, a história se desenvolve através das memórias e pulsões do obscuro Gérard, cuja personalidade enigmática vai aos poucos se desvelando – a cada página.
Com delicadeza e domínio da arte narrativa, Claudia Miranda constrói um romance em que a imaginação funciona como um espelho no qual personagem e leitor se encontram no tempo próprio da narrativa – tempo-espaço único, que só é possível na ficção.

Leia um trecho de Madressilvas em Pucón

"Gérard continuava na festa. Meu olhar fez um movimento de zoom sobre sua mão, que segurava um cálice. Os dedos compridos, nem gordos nem magros, pareciam dedilhar movimentos. Mão que não tinha pressa, nem fugia, tocava, mas não resistia ao contato. Seus gestos pareciam marcar compassos no ar, com precisão. O tempo, companheiro de seus atos. Que semelhanças teria com outros homens que conheci? Não me lembrava ninguém. Certos momentos nem mesmo parecia ser a mesma pessoa. Um conjunto de fragmentos de um enunciado sem nexo. Não queria que notasse minha presença seguindo-o com o olhar. Parecia tão real. Se o fosse, certamente seria um tipo que me daria medo cruzar o olhar em um possível encontro no caminho próximo à cabana do rio. Inspiraria em mim desejo? Hoje só aguça minha curiosidade. Que sensação teria a proximidade de sua boca carnuda? Seu hálito seco como um conhaque nobre.

terça-feira, 22 de março de 2011

Resenha de 'Coração', de Marco Antonio Figueiredo

O jornalista Elias Fajardo escreve sobre Coração, do poeta Marco Antonio Figueiredo, em resenha publicada no Prosa Online:

O coração e a mente não apenas contemplam o mundo e refletem sobre os elementos naturais: interagem com eles, fazem parte deles, e quanto mais esta simbiose se aprofunda, mais os versos adquirem vida e sentido. E assim caminha o poeta, traçando seu rumo impreciso "costurando entre os limites/ do serrilhado das espumas/ e da areia socada pelo peso do mar". 

Este livro "Coração" faz parte de uma trilogia que começou com "UM" (2007) e continuou com "Europa" (2009), publicados pela 7Letras. Neles, Marco Antonio Figueiredo, terapeuta há décadas e também artista visual, constrói um universo poético muito particular, com um pé na tradição oriental e outro na contemporaneidade.

Ao terceiro volume ele juntou também onze shodos, exemplares de caligrafia japonesa usados tradicionalmente para exprimir estados de espírito ou veicular mensagens filosóficas. Marco Antonio cria seus próprios shodos e não se preocupa em juntá-los mecanicamente aos poemas; eles apenas passeiam pelo livro e indicam possibilidades de significados, assim como uma nuvem pode prenunciar a chuva, antes que o vento a carregue para longe.

segunda-feira, 21 de março de 2011

"Os substitutos", de Charles Bukowski

Jack London bebendo a vida toda enquanto
escrevia sobre homens estranhos e heróicos.
Eugene O'Neill bebendo até se anestesiar
enquanto escrevia sua obra
sombria e poética.

agora nossos escritores
discursam em universidades
de terno e gravata,
os aluninhos atentos e sóbrios,
as aluninhas de olhos vidrados
olhando
admiradas,
a grama tão verde, os livros tão chatos,
a vida tão morrendo de
sede.

(Tradução de Fernando Koproski em "Essa loucura roubada que não desejo a ninguém a não ser a mim mesmo amém")


quinta-feira, 17 de março de 2011

Lançamento de "O barco e os temporais"


A Editora 7Letras e a Livraria da Travessa convidam para o lançamento de O barco e os temporais e da segunda edição de A Grande marcha do Coronel Baldomero Sampaio, ambos de Márcia Guimarães, amanhã, dia 18 de março.

O conto "Olho d'água", do livro O barco e os temporais, está disponível para leitura aqui.

terça-feira, 15 de março de 2011

As enganadas

Figurando entre as grandes vozes da literatura portuguesa atual, Teresa Veiga mantém ao longo dos três contos que compõem este volume uma densidade narrativa surpreendente que confirma, em seu primeiro livro editado no Brasil, sua mestria no gênero.

As três histórias reunidas sob o título As enganadas, revelam diferentes faces de um possível engano: um casamento falido em “A morte de um jardineiro”: uma mãe que desconfia da ambígua vida íntima do filho, em “Danças húngaras de Brahms”; e as bodas funestas que atam e desatam a “Confidência barreirense”. Tecidas com muita destreza, num eterno jogo com o encoberto e o enigmático, essas narrativas proporcionam uma alternância de espaços, dimensões temporais e registros literários, aspectos que contribuem para a sua densidade e para os seus intensos desfechos.

Leia um trecho do conto:

As Enganadas

segunda-feira, 14 de março de 2011

 

satara