segunda-feira, 23 de maio de 2011

"Uma cerveja no dilúvio", de Afonso Henriques Neto



“Que negócio é esse de poesia-magia? Bonsbocados de alquimia (introjetar/exsudar paisagens)? Inconsciente de cosmos? Sonhoso selvagem? Dor do imaginário? (Desconhecer é que nos delira?). Seja como for, ainda seguir com o melhor Rimbaud”. – Em Uma cerveja no dilúvio, Afonso Henriques Neto mostra que é muito mais do que um ícone da poesia marginal – e se consagra como uma das vozes mais singulares e originais da poesia contemporânea brasileira.

Afonso Henriques Neto lança o seu  Uma cerveja no dilúvio  na terça-feira, 31 de maio, a partir das 19h, na Livraria da Travessa Leblon.  No mesmo evento, a 7Letras lança a novíssima revista Lado7 e os títulos de poesia Relógio de pulso, de Ana Guadalupe; Água para viagem, de Lorena Martins; Sessentopéia, de Charles Peixoto; Ramerrão, de Ismar Tirelli Neto e a segunda edição de A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora, de Gregorio Duvivier.


Ouça Basta de poesia na voz do próprio poeta.

Basta de poesia

nuvens de cimento não pertencem à paisagem
ventos de granito em discursos descabelados
porque arte não é coisa de amadores
é matéria pra profissional mesmo
assim é melhor botar a juventude pra fora da sala
e do tempo
os jovens costumam delirar demais
pela arte
que no fim das contas é coleção de febres & abismos de transe
vulcões empedrados & fumo gelado pra velhos vagabundos
salvos do incêndio na galeria desesperançada

pois aqui só leva o prêmio quem não apostar porra nenhuma
ou quem mijar de tanto rir da cara
desses senhores que flutuam por entre acervos de museus
e colam maus poetas e artistas amigos em edições de luxo
mais literatura marqueteira nas grandes editoras & feiras
falando da arte como se fosse um empíreo
de fabulações fabulosas a mastigar
solenes voragens de ouro
& brinquedinhos semânticos com palavras estripadas
pelos profissionais das vanguardas
todos criticamente estupidamente bem penteados
em teorias ideologias midiáticas pulsantes
e vai se ver é tudo isso junto mesmo


no fundo a poesia está pouco se lixando
para o lixo que as cidades costumam empilhar
poesia que sempre é chamada para lavar
lençóis nebulosos de epidemias criminosas
mesmo se ninguém saiba que merda de poesia é essa
um áspero lautréamont no semear neblinas negras
(venha venha oh sublime silêncio constelado
para expulsar os demônios e limpar os escarros
desses delírios que vícios escamaram)

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