terça-feira, 24 de maio de 2011

Sessentopéia, de Charles Peixoto



Mais de 25 anos depois da Marmota Platônica, que reunia os textos de suas primeira publicações mimeografadas, Charles Peixoto apresenta esta Sessentopéia de múltiplas faces – todas elas revelando um dos poetas mais inventivos e criativos de nossa língua.

É com o mesmo talento presentes em 1971 em sua estreia com os 100 exemplares de Travessa Bertalha 11 – que ajudou a batizar e a forjar a chamada “Geração mimeógrafo” –, que Charles marca presença novamente em 2011. Entre suas linhas habilmente aliteradas por sinuosas figuras de linguagem, e diante da explosão de sons e ruídos surgidos desde que uma nuvem cigana passou por aqui, podemos ouvir a voz viva do poeta: no verso da margem, oráculo de seu tempo.


Leia – ou ouça – o poema Minha seriedade conjugal é um camelo, de Charles Peixoto

Minha seriedade conjugal é um camelo
o redondo universo azul ainda parece um pavão infantil
massacra menos a presença dela que os multinacionais furacões
                                                            da passividade matrimonial ltda
não faço mais árias longas ou pequenas e contundentes melecas
ando mastigando um chiclete de segunda
tô cometa rabudo sem conexão terra
um gato de rua
um elemento distinto
o quinto dos infernos com programação divina
teias do ofício
sei que no fundo do vício ainda caio na cama
e depois de proclamar minha ressaca universal
saio de pé em pé pelas pedras rio acima
rio abaixo
como um canastrão rola compondo cruas polentas

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