quarta-feira, 25 de maio de 2011

A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora (2ª Edição)

Gregorio Duvivier, mais conhecido pelo seu trabalho como ator, revela seu talento como poeta nas páginas de A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora, já em sua 2ª edição.

No livro, o humor apresenta uma riqueza de nuances, indo do lúdico ao cáustico. Em outros momentos o autor nos brinda com um “delicado toque lírico”, como define Paulo Henriques Britto. Ainda há espaço para brincadeiras com a poesia visual, como nos poemas “a régua e esquadro”. O ecletismo característico da nova geração de poetas brasileiros está presente em A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora. A multiplicidade de referências e os jogos com a linguagem e a forma são traços marcantes dos poemas de Gregorio.

A segunda edição de A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora será lançada na terça-feira, 31 de maio, a partir das 19h, na Livraria da Travessa Leblon, num evento que marca também o lançamento da revista Lado 7 e dos livros Uma cerveja no dilúvio, de Afonso Henriques Neto; Relógio de pulso, de Ana Guadalupe; Sessentopéia, de Charles Peixoto; Ramerrão, de Ismar Tirelli Neto, e Água para viagem, de Lorena Martins.

poema kitsch

você se rasga em nesgas de cetim
cisma desmaios lúcidos você
desaba na cama e finca as unhas
nos lençóis de seda berra lágrimas
arranha o teto morde os dedos mas
não adianta: você é kitsch, querida.

alice na timbre

ao som do sax sofrido
de (será?) kenny g
os losangos sob os nossos pés
não deveriam ser pisados
penso
por suas birkenstocks
laranjas como seus cabelos que
reluzem cobre
sob a pressão de um tiquetaque
(nos cabelos) e o relógio
aponta para a vitrine onde
os livros que nunca lemos
os filmes que nunca vimos
se escondem atrás do nosso
próprio reflexo no vidro
onde falamos de beatles
tom nova zelândia ana cristina
e sobre como esse mundo
é uma ervilha e no reflexo
da vitrine a certeza
de que o momento já
não é senão reflexo
(reflexão: espécie de
ectoplasma) e nunca nunca nunca mais
terá feito tanto sentido
o som do sax sofrido
de (sim) kenny g

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