quarta-feira, 25 de maio de 2011

Água para viagem, de Lorena Martins

A escrita de Lorena Martins é sonora e sensual, tem o doce sabor de saliva da palavra amorosa, tecendo e entretecendo cenas que traduzem uma poesia de beleza singular.




“Livro sentimental, e de exageradas águas: dilúvio, lábios, tempestades, torrentes que batem nas janelas como se fossem portas a lembrar de quem desejamos. Os versos sinalizam: ela se excita com pouco. A poesia sempre foi o mínimo.” – Fabrício Carpinejar.

"Nunca acreditei na poesia classificada por classe social, gênero, raça, cor, religião. Acredito nos bons e maus poetas. Mas percebo que uma coisa não exclui a outra. Ninguém fala de lugar nenhum. É a nossa segunda pele, nossas digitais. A poesia de Lorena deixa claro uma alma feminina, um contínuo viajar num mar sensorial de perfumes, pequenos gestos, sabores, detalhes, interiores. A mulher sente mais. A mulher sente muito. E sente com o corpo. E sente pelos poros. E isso é o tempo todo expresso por Lorena." – Chacal

Leia um poema de Água para viagem

(da sutileza dos poros,
a imersão)


sugiro um mergulho
ou a cáustica fotografia
de meus retalhos
desmesurados
à tua esquina.

sugiro-me assim,
distante.


dos faróis que flertam
com meus insultos olhos,
bebo a metade.

salivo teores
insones

temo voltar.
eu vejo,
cansado
e calado claustro,
o desespero:

diante da porta,
visto
e guardo chuvas.

Água para viagem  será lançado na terça-feira, 31 de maio, a partir das 19h, na Livraria da Travessa Leblon, num evento que marca também o lançamento da revista Lado 7 e dos livros Uma cerveja no dilúvio, de Afonso Henriques Neto; Relógio de pulso, de Ana Guadalupe; Sessentopéia, de Charles Peixoto; Ramerrão, de Ismar Tirelli Neto e da segunda edição de A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora, de Gregorio Duvivier.

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