quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

estórias mínimas, de José Rezende Jr.

Se a internet e seus filhotes – como o twitter – são um símbolo emblemático dos tempos atuais, nada como encontrar um escritor com o talento de José Rezende Jr., capaz de dizer muito com poucas palavras – e de nos oferecer estes microcontos densos e concisos, que arrebatam o leitor em apenas três linhas (e muitas entrelinhas). São estórias mínimas de amor, solidão e desejo, todas com um sabor intenso: rápidas de ler, mas que reverberam no íntimo como só as grandes obras literárias sabem fazer.

Fique com uma pequena amostra destas estórias mínimas:

A viagem do infeliz navegante
Para esquecer o grande amor, tornou-se marinheiro. Cruzou sete mares, até o fim do mundo. Inútil: era sempre a mesma mulher em cada porto.

Eles, que se amavam tanto...
Amavam-se muito, mas eram tão jovens e a vida tão curta que preferiram experimentar novos amores. Mas a vida foi longa. Horrivelmente longa.




O duelo
Eu indo rumo ao desastre, pernas bambas, mãos trêmulas, nós dois frente a frente, e eu, num gesto
rápido e suicida, tirando ela pra dançar.

Amores loucos
Ele falava sozinho. Ela, sozinha, ouvia vozes. Até o dia em que, doidamente, se amaram.



Laços de matilha
Adotou dois vira-latas e dois gatos de rua. Nenhum dos quatro se envolveu com drogas ou más companhias. E todos cuidaram dele na velhice.

Carnaval (nº 4)
evolução

O mestre-sala e a porta-bandeira perderam tudo no deslizamento do morro. Mas estão sorrindo, pra não perderem pontos também.


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