terça-feira, 30 de novembro de 2010

Lançamento de "Minha gente: Luiz Mendes, o mestre da crônica esportiva do Brasil", dia 2 de dezembro

Nessa quinta-feira, dia 2 de dezembro, será o lançamento do livro Minha gente: Luiz Mendes, o mestre da crônica esportiva do Brasil, biografia do grande radialista. Esperamos todos lá!
Salão Nobre do Botafogo de Futebol e Regatas - Av. Vencesláu Brás, 72, a partir das 19h.



quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Thiago Camelo na III Semana de Letras da UFJF




Thiago Camelo, autor de Verão em Botafogo estará amanhã em Juiz de Fora para participar da Roda de Escritores, junto com Mauro Siqueira e Diego Grando. A prosa está marcada para as às 18h e faz parte da programação da na III Semana de Letras da Universidade Federal de Juiz de Fora. Literatura, internet, blogs e editoras são alguns dos temas da conversa, mediada por Laura Assis.

Confira toda a programação da III Semana de Letras da UFJF aqui.

"Amores Lado B"

No site da Blooks, Mauro Siqueira escreve uma "pequena resenha afetiva" sobre o livro Eu perguntei pro velho se ele queria morrer (e outras histórias de amor) . Leia a resenha completa sobre o livro de José Rezende Jr., vencedor do Jabuti 2010 na categoria "contos":

Li do início ao fim: General Osório-Saens Peña – sem pena, numa assentada só. Passei duas estações além da minha, mas valeu: a leitura de Eu perguntei pro velho se ele queria morrer (e outras histórias de amor), de José Rezende Jr, ed. 7Letras, livro premiado com o Jabuti na categoria “Contos e Crônicas” de 2010, me tomou por completo – há um certo tempo que buscava contos assim. É curto, direto, atinge e vence o leitor por nocaute – como diz Cortázar, ao teorizar sobre o gênero. Fui pego, ainda, pelo livro na sua bela capa e projeto gráfico, sobretudo, o seu título – o ruído causado por ele chama a atenção: “Como um título assim pode combinar o amor?”, perguntei para mim mesmo. Lembrei positivamente de outros livros que brincavam com o conceito do amor, como por exemplo o livro de Marçal Aquino, “Do amor e outros objetos pontiagudos” (e do meu próprio que vem a caminho), não pensei duas vezes ao comprá-lo, após algumas folheadas e frases escolhidas a esmo e lidas em voz alta, ainda na livraria.

Doze contos. Amores incomuns e seus aspectos idem, José Rezende Jr mostra ao leitor que há nuances e camadas outras detrás das possíveis formas de um relacionamento amoroso, ou fraterno, ou cordial, ou atemporal, ou afins; há o vermelho da paixão e/ou o rosa romântico e há também um certo amarelado e cinzento embaçamento, confundindo sentimentos e impressões, apontando para fins melancólicos, trágicos, violentos entre eles por todo o livro. O interessante para o leitor é buscar que tipo de amor há; é daí que o ruído da relação do título e seu subtítulo se justificam, nessas histórias você termina algum dos contos com essa questão, na releitura você parte em busca das respostas. Como no conto de abertura, intitulado “Eu morrendo e você pintando as unhas de vermelho”, onde um moribundo observa a futura viúva se arrumar para a noite, enquanto ele definha sobre uma cama e aos poucos nos damos conta que os seus comentários depreciativos querem nos dizer algo além. Ou na relação submissa, tipicamente asiática, do conto “Origami”, um contrato de tolerância mútua de duas tristezas mediadas pelo corpo e pelo dinheiro. Uma tristeza bem diferente da mãe  de “Um conto de horror”, mãe esta que dorme com um punhal debaixo do travesseiro, por medo do filho. E não há como não se chocar com a história de Maria de Lurdes, em que o título já antecipa o fim da história da moça que faz um esforço para agradar o namorado. Ou se sensibilizar com o resgate de um amor perdido no tempo em “Desvio; desvão” ou a discussão silenciosa de “O amor surdo, mudo, morto”. Poderia me deter em todos os outros contos – uns mais outros menos –, mas fazê-lo seria tirar do outro o prazer de descobrir por si só esses pequenos detalhes engendrados por José Rezende Jr – como no conto título. Como num tapete bem tecido, todos os contos juntos formam uma bela imagem de uma das várias formas de se ver o amor.

7 Letras no Prêmio Açorianos 2010

Flávio Wild (Silêncio em Siena) Guto Leite (Zero Um) e Escobar Nogueira (Pejuçara) estão entre os finalistas da 16ª edição do Prêmio Açorianos de Literatura Adulta e Infantil. Os dez vencedores de cada categoria serão anunciados na noite de 13 de dezembro, quando serão divulgados os destaques do ano, o Livro do Ano e a Coletânea inédita vencedora do Prêmio Açorianos de Criação Literária/Conto.

Confira aqui os finalistas do Prêmio Açorianos 2010.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

"Monodrama" no Portugal Telecom 2010

O Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa – um dos principais prêmios literários do Brasil – vai ser entregue esta segunda-feira, em São Paulo, às 20horas. O poeta Carlito Azevedo (Monodrama, 7Letras) é um dos nove finalistas da edição de 2010 deste prestigiado prêmio, que contempla três vencedores.

Sobre Monodrama, Bernardo de Carvalho destacou na sua coluna no jornal Brasil Econômico:

Se alguém ainda quiser saber para que serve a literatura, a resposta está dada: para que de vez em quando alguém escreva um poema como esse H., do Carlito Azevedo. – Bernardo Carvalho

Leia um poema de Monodrama:

Rua dos cataventos
After “grammatische konfession”
de Eugen Gomringer


Quando explodiram a sinagoga, digo, a mesquita, digo, a
discoteca, ele podia ter estado presente, ele estava presente,
ele esteve presente, ele foi considerado suspeito, ele poderia
ter sido considerado suspeito, ele poderá ser considerado
suspeito, ele colaborou, ele poderia ter colaborado, ele
vai colaborar. Bebeu o café que lhe ofereceram. Passaram a
se referir a ele como “o bebedor de café”.

Quando os conflitos de verdade começaram e tiros de grosso
calibre e até uma ou outra explosão de relativa magnitude
puderam ser ouvidos ele podia ter estado presente,
ele estava presente, ele esteve presente, ele foi considerado
suspeito, ele poderia ser um provável suspeito, ele será
arrolado entre os suspeitos, ele colaborou, ele podia ter
colaborado, ele vai colaborar, ele jogou toda a culpa sobre
o grupo, ele confirmou que ali se falava o tempo todo na
grandeza de cair em martírio, ele fez o jogo do agente duplo,
ele vai dançar conforme a música, ele vai colaborar,
ele colaborou, ele dançou conforme a música. Passaram a
se referir a ele como “o bailarino”.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Prêmio Jabuti 2010



Hoje em São Paulo será entregue o 52º Prêmio Jabuti, o principal prêmio do mercado editorial brasileiro. José Rezende Jr é o grande vencedor na categoria conto, conquistando o 1º lugar com o livro "Eu perguntei pro velho se ele queria morrer (e outras estórias de amor)"

Depois da entrega da estatueta aos vencedores, serão revelados os melhores livros editados no Brasil em 2009 nas categorias ficção e não-ficção, escolhidos por um júri formado por profissionais do mercado. 


+ Leia aqui um conto de Eu perguntei pro velho se ele queria morrer (e outras estórias de amor)

7Letras na Primavera na Cultura – SP


A Primavera na Cultura em São Paulo continua até o dia 15 de novembro, reunindo num só lugar – a Livraria Cultura do Conjunto Nacional – obras do catálogo de mais de cem editoras independentes. Além de expor uma seleção especial de títulos do catálogo de cada editora, a Primavera oferece uma extensa programação  gratuita para o público adulto e infantil. Debates, mesas redondas e encontros sobre temas ligados às Artes, Política, Literatura e Cultura são alguns dos eventos especiais dessa festa que celebra a bibliodiversidade.

Primavera na Cultura - São Paulo | 2010
De 01 a 15 de novembro de 2010, das 9h30 às 21h30
Livraria Cultura do Conjunto Nacional
Av. Paulista, 2073 - São Paulo/SP

Programação

Sábado: Lançamento de "Nona", de Erika Mattos da Veiga, em Brasília


A 7Letras e o Mercado Cobogó convidam para o lançamento do romance Nona, de Erika Mattos da Veiga.

Data: sábado, 6 de novembro, a partir das 16h
Local: Mercado Cobogó  SCRN 704/705 bloco E lojas 51/56 – Brasília

Leia um conto do livro "O professor de piano"

O cavalo

1
Com a insônia, me levantei, fui até a cozinha, bebi um copo d’água. Atravessei a sala, aproximei-me da varanda do apartamento, fiquei olhando a noite. O mar, a uns oitocentos metros, atirando-se nas areias alvas. A luz do poste refletindo nas palhas da palmeira no pátio do prédio, o fundo azulado da piscina tremendo. A rua deserta, arborizada, o asfalto comido em alguns trechos.

Notei que de um terreno baldio, perto de outro onde estão erguendo um edifício, saiu um cavalo do meio de alguns arbustos, veio andando na direção do meu prédio, os passos calmos, a cabeça, vez por outra, sondando ao redor. Achei que o dono de alguma carroça – as casas humildes do outro lado da avenida, não muito distante – largou-o na noite para um devido descanso. Um cavalo altivo, avermelhado.
Batia um vento bom e, de repente, na esquina, apontou um carro vindo dos lados da praia, entrou na rua. O cavalo, na calçada, dobrou o pescoço, observou o carro passar com velocidade, uma leve poeira partindo dos pneus.

O homem parou diante do portão de uma das casas da rua (moro aqui já tem três anos, após me aposentar como advogado, mas não havia reparado no belo jardim da casa), acionou o portão eletrônico, que foi abrindo lentamente. Em pouco tempo o homem entrou com o carro na garagem. Olhei a nuvem arroxeada se aproximando da fatia de lua, lá adiante, sobre o mar. O cavalo vinha andando pela rua, apagando-se nas sombras, sempre lento.
O homem demorou a sair do carro e a fechar o portão. Após alguns minutos, finalmente deixou a garagem escura e, esquecendo que o portão se encontrava aberto, ficou no terraço tentando abrir devagar a porta principal da casa. Pareceu não ter meios, em certo momento, de penetrar na casa, saiu para o jardim, sentou-se na cadeira de ferro, perto de um anjo alto, pôs o rosto entre as mãos. Vez por outra olhava para o primeiro andar da casa, esquecido de vez de fechar o portão da garagem, parecendo também que poderia, a qualquer momento, sair de novo para a rua. Por que não chamava alguém? Deixou a pasta (vinha do escritório?) sobre a mesinha de centro do jardim, encoberta por algumas ramas, saiu arrodeando a casa. Enquanto o homem pesquisava ali as janelas, o cavalo veio, passou pelo portão, baixou a boca, foi arrancando tufos da grama do jardim. O homem agora estava lá nos fundos, empurrando portas, espreitando paredes. O cavalo raspou outra vez a boca no chão, apanhou mais grama e foi para debaixo da sombra da pequena árvore no canto mais escuro do jardim. O homem afinal encontrou uma janela aberta, entrou na casa, veio, abriu a porta principal, pegou a pasta na mesinha do jardim e acionou novamente o portão eletrônico, que começou a fechar com ruído.

O cavalo ali na sombra, imóvel. O vento atiçando as folhas da árvore.

Lançamento de "O professor de piano", de Rinaldo de Fernandes


Em O professor de piano, Rinaldo de Fernandes dá vida a uma série de histórias e personagens singulares – num estilo que o consagrou como um dos mais destacados e talentosos ficcionistas no panorama da literatura brasileira contemporânea. Envolvidos nas suas próprias angústias, dilacerados por dramas, neuroses e violência seus personagens desfilam em contos essencialmente realistas, marcados pelo imaginário e poética urbana, surpreendentes. Nos contos de Rinaldo, o leitor é guiado pela investigação e exploração – intensa – da subjetividade do homem contemporâneo. Um monólogo interior refinado e um ágil uso do fluxo de consciência dão um sabor único a estas histórias arrebatadoras e surpreendentes.

Rinaldo de Fernandes lança O Professor de Piano em São Paulo nesta terça-feira, 9 de novembro, a partir das 19h00, na Biblioteca Mário de Andrade. Na ocasião, Rinaldo fará a palestra “O Conto Brasileiro do Século 21”. Em seguida haverá um debate com o escritor Ataíde Tartari acerca dos 11 contos que integram O Professor de Piano e a leitura de um conto do livro pelo jornalista e escritor Assis Ângelo.


Data: 09 de novembro de 2010, terça-feira, às 19h
Local: Biblioteca Mário de Andrade – Circulante – Av. São Luís, 235 - Centro - São Paulo (SP).

Apoio: Biblioteca Mário de Andrade / Secretaria Municipal de Cultura / Prefeitura do Município de São Paulo / O Cantinho Português.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Leia um trecho de "Nona", novo romance de Erika Mattos da Veiga


“Mostra! Mostra como você faz o truque” gritou abandonando as pernas soltas no ar, sustentando o peso do corpo no pescoço da negra, um cacho de flores amarelas esparramado no chão, um longo galeio para trás e a temerária brincadeira de criança alçando um inesperado voo destemido, de costas, pernas magrelas de menina defeituosamente esticadas como as de uma bailarina amadora, a saia da camisolinha inflada, branca, feito um balão, os pés, por último, afundando descalços na lama resultante do que fora vento e chuva inundando, na madrugada, o quintal, e as mãos fiandeiras da negra que buscavam contê-la, e ela empinando o rosto à maneira de um desafio, o esplendor dos cabelos louros varrendo a curta distância entre as duas rivais, e depois os pezinhos descalços marcando de lama as pedras acinzentadas compondo a extensa varanda, ganhando, emporcalhados, a cozinha, onde quatro mãos rústicas, visivelmente mais ágeis que aquelas que a perseguiam, preparavam o almoço, e ela fugindo, a barra da camisolinha suja de lama obstruindo a desordem atabalhoada dos passos em disparada rompendo a penumbra desabitada do andar térreo no sobrado, subindo o esplendor superlativo da escadaria de mármore, atravessando, no pavimento superior, magníficos cômodos iluminados pelo calor da manhã, sucessão de aposentos interligados por pares de portas monumentais, altíssimas portas que ela escancarava afastando as metades de madeira inteiriça, deixando entrar o amarelo do sol amornando o quintal, evaporando a chuva acumulada nas folhas da árvore abrigando a tumultuosa orquestra de passarinhos, restituindo firmeza à terra encharcada fixando a verdura do gramado no pátio, clarão amarelo iluminando a camisola de algodão, dois cordões desamarrados pendentes da altura da gola meticulosamente rendada, dois cordões e o evidente desleixo da gola desbeiçada no ombro, as mangas compridas escondendo ambas as mãozinhas rechonchudas afastando cortinas, descortinando portas-janela, ‘Mostra! Mostra! Mostra!’

"Nona", de Erika Mattos da Veiga


A escrita sedutora e labiríntica de Erika Mattos da Veiga enreda o leitor já nas primeiras linhas com o voo da menina de cabelos loiros aos braços de Dindinha, – menina que desperta, anos depois, em um avião, com a mão de uma comissária aterrissando em seu ombro. Em meio à miséria kitsch do aeroporto, ela embaralha memórias da infância: a mãe lânguida encerrada no quarto, os dedos artríticos da babá, o olhar reprovador do pai, as flores da árvore em frente ao seu quarto de menina, dançando numa voragem cor de laranja.
Explorando com precisão as torpezas – e belezas – e a fragilidade humana, o universo ficcional caleidoscópico de Nona encanta do início ao fim, confirmando a autora como uma das vozes mais singulares da nossa literatura.  
 

satara