sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Leia o livro, veja o filme

Promoção no site da editora: as primeiras 50 pessoas que comprarem o livro Como esquecer, de Myriam Campello, no nosso site ganham um ingresso para o filme, dirigido por Malu Di Martino e com Ana Paula Arósio, Murilo Rosa e Natália Lage no elenco.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Sublunar - 2ª edição


Já saiu a 2 ª edição de Sublunar, de Carlito Azevedo. O livro reúne a produção poética do poeta carioca ao longo de 10 anos, publicada originalmente em seus quatro livros esgotados: Collapsus Linguae (vencedor do Prêmio Jabuti), As banhistas, Sob a noite física e Versos de circunstância.  Esta 2ª edição surge com uma cara nova: idealizada pelo pelo próprio Carlito e Valeska de Aguirre a capa mostra uma imagem do espetáculo “Formas Breves”, de Bia Lessa e Maria Borba. A fotografia é de Marcella Garbo.

Fique com um vídeo em que Carlito lê os poemas "Vaca negra sobre fundo rosa", "Sobre portas" e "Uma tentativa de retratá-la", todos de Sublunar :

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Leia um trecho de "Como esquecer", de Myriam Campello

Aqui Virginia se matou, murmuro.
Antônia e eu estamos ante as águas verde-geladas do Ouse, o rio abstrato que finalmente se tornou real. Minhas palavras não dizem nada de novo, são para mim, tentando dar concretude ao fato de estar no cenário da tragédia que me acompanha há tanto tempo. O rio é pacífico ao atravessar a cidadezinha, e guarda em suas profundezas como um segredo de amor o dia em que Virgi­nia Woolf vestiu sua roupa de algas e peixes. Faz frio em Lewes, e eu e Antônia estamos um pouco distantes uma da outra, silencio­sas. Aparentemente dissociadas pela força do lugar. Como duas estranhas. Não nos entreolhamos sequer. Não é necessário.

Não era necessário. O que fazer com essa lembrança? Eu jamais deveria ter ido à Inglaterra com Antônia. Temos que ser avaros com as tessituras subjetivas porque delas dependem nosso oxigênio. O manual de sobrevivência na selva diz que certos lugares não devem ser compartilhados, pois se torna impossível resgatá-los depois sem contaminações. É um erro misturar os mitos pessoais com o ser amado. Mas sem dúvida é igualmente difícil viver tangido pela fatalidade futura, que ainda não existe. Que não é visível mesmo do mais alto pico de sua existência no momento. A caminho do trabalho, olho da janela do táxi a lagoa petrificada no gelo. Silhueta dos morros, céu e água me espiam cautelosos, perdidos em algum ponto de mim. Olho mas não a vejo. A irrealidade congela a paisagem. Mesmo as garças fitando imóveis o Sião parecem proibidas. À distância, os remos bri­lham no ar e afundam-se na massa líquida sem um som. Onde foram parar meus suprimentos antiescuridão? 

Volto para casa e assim que abro a porta vejo Lisa no sofá, enrodilhada como um pano de chão fora de uso. Um pacote estaria mais inteiro. Com um monossílabo ela varre o meu cum­primento para longe, quer tudo menos conversa. Não vi quando chegou ontem – tarde, pois até meia-noite eu e Hugo ríamos na cozinha da novela onde ele fará o sórdido filho do fazendeiro. Tudo bem para mim, não sou a mãe de Lisa. Dividir a casa com outras pessoas pode nos dar certas alegrias, um conforto pelo calor de rebanho. Mas é também uma perturbação contí­nua. Nada mais explosivo do que ter um ser humano por perto com suas emanações, seus medos, e desejos que nem sempre entendemos.

Depois de comer um sanduíche na cozinha, me enfio no quarto. Quero fugir do venenoso sofrimento que zumbe ali perto. É mais sábio ficar longe dos estilhaços dessa dor quando já tenho meus próprios enigmas para enfrentar. Mas a paz não é deste mundo. Mal o céu do computador se ilumina, a música invade o quarto como uma horda belicosa. Depois do incômodo inicial, decido firmemente que posso sublimar aquilo e engal­finho-me com o cânone literário ocidental. Mas a banda, que não quer saber de sutilezas, escoiceia minha atenção desprote­gida. Sou um rato afogado na música que vem da sala em ondas sucessivas. Estamos aí, gente boa, berra ela com a inconsciência jovem de quem só quer existir. Fecho os olhos e repito para mim mesma que o barulho é apenas um traço desse mundo ilusório. Não tem existência real. Um monge budista sequer o ouviria.

lançamento de "Como esquecer "

Qual é o contrário do amor? O final de uma relação lança Julia diretamente para o vértice da espiral da dor. A separação divide a vida desta professora de literatura em dois abismos, o antes e o depois – o presente é um cenário de desolação e perplexidade, em que Julia tenta reconhecer (e reconstruir) o seu mundo, assombrado pela ausência do ser amado. Mais do que um romance sobre a perda, experiência comum a todos nós, Como esquecer explora as fronteiras entre o eu e o outro, e a capacidade de renovação e transformação presente no cenário interior – por mais devastado que esteja – de todos nós.


Como esquecer,  de Myriam Campello, inspirou o roteiro do filme homônimo, que estreou dia 15 de outubro nos cinemas. Dirigido por Malu Di Martino e contando com Ana Paula Arósio, Murilo Rosa e Natália Lage no elenco, o filme foi uma das atrações do Festival do Rio 2010.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Tunga na Piauí de outubro



A edição de outubro da revista piauí traz a matéria “Dentes descabelados”, sobre o artista plástico Tunga, escrita por Bruno Moreschi. Confira abaixo o trecho em que o crítico Felipe Scovino fala sobre a entrevista que realizou com o artista para seu livro Arquivo contemporâneo, publicado pela 7Letras em 2009.

[...]
O crítico Felipe Scovino foi certa vez à casa de Tunga, no Rio de Janeiro, para uma entrevista. Arriscou uma primeira pergunta longa e cheia de termos como “arte”, “vida” e “violência”. O artista respondeu: “Não vejo pergunta no seu enunciado, mas uma sucessão de acepções e apreciações que você faz tanto à vida quanto ao mundo cultural. Não saberia o que responder.”
Scovino quis saber se considerava a arte contemporânea “uma conjunção de experiências caóticas”. Tunga discordou: “O que você está chamando de arte contemporânea é um fenômeno que acontece dentro da sociedade ocidental, num circuito determinado de uma cultura, que envolve museus, colecionadores, críticos, imprensa. Isto é um grão perto daquilo que é o exercício da subjetividade da sociedade ocidental contemporânea. Falar do homem e da existência a partir desse pequeno grão me parece restrito.”
Nas outras 25 respostas, Tunga respondeu sempre de maneira agressiva e taxativa, com frases como “fico perplexo porque nunca vi essa história da arte que você está me relatando” e “você parte de pressupostos com os quais necessariamente não concordo”. Scovino conversou com Tunga para seu livro Arquivo Contemporâneo. Lançado no ano passado, ele reúne entrevistas de treze artistas brasileiros – todos bem mais cordiais do que Tunga.
Nove meses após o encontro, Scovino lembrou: “Tunga me colocou numa posição de pensar nos meus próprios critérios. Ele tem uma capacidade de não responder sua pergunta, mas, mesmo assim, falar coisas pertinentes.” Para ele, uma conversa com o artista é “uma alegoria de um jogo de xadrez. Você escolhe: entra no jogo e duela com ele, ou desiste e escuta o que Tunga tem para falar.”
[...]

Leia a matéria na íntegra no site da piauí.

 

satara