quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Poesia brasileira 1980-2010: processos e percursos


O Seminário Poesia Brasileira – 1980-2010: processos e percursos, realizado pela Puc-Rio, pretende discutir tendências e transformações da poesia brasileira nas últimas três décadas, pensando a sua produção em diálogo com as tradições que a antecederam.

O evento ocorre entre 29 e 30 de setembro no Auditório Pe. Anchieta, na PUC- Rio, e conta com as participações dos poetas da 7Letras: Eucanaã Ferraz, Marcos Siscar, Marcelo Sorrentino, Heitor Ferraz, Ericson Pires, Carlito Azevedo, Augusto de Guimaraens e Domingos de Guimaraens, Alice Sant’Anna, Ismar Tirelli Netto, Mariano Marovatto e Lucas Viriato.




quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Entrevista de Thiago Camelo para o jornal "O Fluminense"




Thiago Camelo conversou com a repórter Flávia Custódio sobre seu livro Verão em Botafogo. A entrevista foi publicada ontem, 21 de setembro, no jornal O Fluminense. leia abaixo um trecho da matéria, ou clique aqui para ver na íntegra.

POESIA EM PIXELS
Thiago Camelo fala da sua estreia no mundo literário com a obra Verão em Botafogo, que promete reunir imaginário, memórias, fatos reais, traumas, sonhos e cotidiano
por Flávia Custódio

Aos 27 anos de idade, o carioca Thiago Camelo acaba de lançar seu primeiro livro, Verão em Botafogo. Formado em jornalismo e em cinema, ele escreve poesias que revelam seu cotidiano nos diversos bairros da cidade em que já morou, como a Barra, Copacabana e Jardim Botânico. Mas é do bairro de Botafogo que veio a inspiração para o blog (www.veraoembotafogo.blogspot.com) que abrigou as primeiras poesias de Thiago e que deram nome ao livro, lançado este mês pela editora 7Letras. Nesta entrevista, Thiago fala de sua estreia no mundo literário com a obra, que promete reunir imaginário, memórias, fatos reais, traumas, sonhos e cotidiano

Você cursou jornalismo e cinema. De alguma forma esses cursos te ajudaram a se tornar escritor?
O hábito de escrever diariamente ajuda bastante, claro. Tenho um apreço danado pelo português, uma paixão mesmo. Um interesse profundo até mesmo pelos meandros da língua - da gramática oficial ao chamado “português brasileiro”. Mas, no fundo, não saberia dizer ou apontar coisas específicas que me ajudaram a encontrar o mínimo de inspiração para escrever um livro. Não apontaria o cinema, por exemplo, como responsável. Não apontaria a própria literatura como responsável. Ou a música ou o que quer que seja. É mais uma influência de tudo o que eu vivo, né? De memórias a imaginários, passando por fatos reais, sonhos, traumas até chegar ao cotidiano mais cotidiano.


Você sempre quis escrever livros? E poesia em particular?

Acho que sempre quis escrever um livro. Nunca tive certeza se conseguiria. Isso não quer dizer que eu sempre quis ser escritor. A minha ideia era conseguir, por meio de uma fala minha, contar uma história. Sempre gostei muito de escrever, muito mais até do que de ler. Sobre a poesia, não, nunca pensei em escrever poesia. Aliás, “saiu” um livro de poesia. Eu tinha muita coisa escrita já. Contos, poemas, pensamentos etc. Só que acabei gostando primeiro de um formato de poesia que achei para mim. Daí, só depois de ficar minimante satisfeito com o que escrevia, passei a publicar no blog. A editora gostou, houve o contato e está aí o livro. Foi tudo meio por acaso, na verdade. A ideia inicial era mostrar, compartilhar um pouco minha visão de mundo no blog. Até hoje não sei direito por que publiquei estas poesias. Provavelmente foi por vaidade, por necessidade de afirmação, para conseguir alcançar o outro com um sentimento meu.


Leia mais no site d'O Fluminense

terça-feira, 21 de setembro de 2010

"A Casa dos Outros" premiado pela UBE-RJ


A obra A Casa dos Outros, do estreante Marcílio França Castro, recebeu o primeiro lugar no Prêmio Clarice Lispector, categoria de contos do Prêmio Literário Internacional da UBE-RJ.

Leia a seguir um pequeno trecho da narrativa que dá nome ao livro:


Sempre imaginei, de modo nada original, que a memória de Peraus me levaria a um romance. Há cerca de quinze anos, na época em que Estela e eu éramos apenas amigos de faculdade (mas com sua alegre fúria ela se apaixonava pela promessa de escritor que vira em mim, e que eu, não refutando, acabava por alimentar), cheguei a esboçar um plano e reunir algumas notas. Era o esforço de pôr no papel, pela primeira vez, as impressões de um mundo que (ainda não me dera conta) estava prestes a desaparecer.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Chacal no "Entrelinhas", da TV Cultura

Chacal foi tema de reportagem do programa Entrelinhas, da TV Cultura por conta do lançamento de Uma história à margem. Confira a matéria abaixo.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Entrevista de Chacal no blog Máquina de Escrever

Chacal deu uma entrevista para Luciano Trigo, autor do blog Máquina de Escrever, publicada nessa terça-feira, 7 de setembro. No bate-papo o autor fala, entre outros assuntos, sobre seu novo livro Uma história à margem e o papel da poesia ontem e hoje. Clique aqui para ler.


segunda-feira, 6 de setembro de 2010

taxiando

"noite. escuro. frio. madrugada. silêncio. um-motor-ligado. um carro me esperando para a longa jornada. vez por outra, algum carro risca o ouvido. o som no presente deixa seu rastro na memória. o passado do presente ainda tátil. de novo o silêncio. outro carro risca o silêncio. pelo jeito, um ônibus. já é passado.
imagens acústicas. acontecendo no tempo. o-motor-ainda-ligado. só ele e o silêncio frio da madrugada. um carro me esperando para a grande jornada para dentro da minha memória em busca de mim. quem é eu? quem sou mim? um-motor-ligado. a porta do carro fecha. o motor acelera. o carro parte.
silêncio. não fui naquele carro. ou fui? um-motor-ligado.

o som é sempre um clarão no escuro do silêncio. imagem acústica. imagem acústica que muitas vezes se superpõe a outros inúmeros infinitos ruídos no silêncio. sons superpostos. que se emaranham a pensamentos feitos de palavras. que também riscam o silêncio do cérebro no meio da noite fria. e no meio do dia quente? imagens acústicas emaranhadas, engalfinhadas, se amalgamam com imagens visuais. imagens visuais que podem ser a imagem de são jorge ou o metralhar da janela de um ônibus. de um trem. de um trem-bala. às vezes som e imagem parecem se sincronizar quando vemos alguém falando. falácia. embora o som saia daquela boca que o produz, o som nos risca o ouvido e a imagem, o olho. não tem nada um com o outro. ou tem? se vc der três pulinhos e pedir pra são longuinho, a memória, que vc perdeu num jogo na noite anárquica, a memória pode aparecer (nica era o nome dela? ou dico?)?

um-motor-ligado no meio da noite fria, vazia, silenciada. outros motores riscam o asfalto da noite. outros seres empreendem a jornada. entre o passado e o futuro. entre o futuro e o passado. tudo-no-presente. tudo-no-presente. tudo-no-presente. o som que risca o silêncio aqui, agora, deixa um rastro na memória e vira linguagem. o silêncio não aparece. nada aparece. está escuro e silêncio. apenas o-motor-ligado me esperando para a longa jornada. aos seios de duília? melhor não. uma tumultuada, uma indecifrável jornada para dentro de mim. da linguagem. da minha linguagem. da minha vida. um-motor-ligado me espera no silêncio da noite. tudo escuro. o-motor-ligado e uma porta de carro que fecha. o carro parte. e risca o silêncio. acende a linguagem. eu continuo aqui. ou não?

agora não há mais noite, silêncio, frio, madrugada, carro, motor, ponto e vírgula. melhor assim. mato a linguagem no peito e escorro pro chão. vamos nessa, querida? partimos."

Trecho do livro Uma história à margem, de Chacal

Lançamento : 5ª feira dia 9/09, na Travessa de Ipanema

Lançamento de "Uma história à margem", do Chacal, no Rio

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Poemas de "Confissuras"


Leia abaixo uma pequena seleção de poemas do livro "Confissuras", de Michel Klejnberg.

fernando


o teu nome na minha língua
o tamanho do teu nome na minha língua
acho que o tamanho do teu nome nem cabe na minha língua
ou o tamanho do teu nome é o tamanho da minha língua
eu não sei como se diz
é um nome grande
fala de reis e campos e pessoas
fala de uma irmãzinha minha portugalzinha que mora longe
lá no começo do mar
lá onde tudo o que é poesia
veio dar na areia da praia de ipanema
ah fernando, se tudo fosse muito menos bonito



bruxa má


-esqueceu como se escreve?
ri a folha, branca de neve.


e o poeta:
- espelho, espelho meu
existe alguém no mundo mais impotente do que eu?



haikai para hiroshige


tokyo a kyoto
outro lado do mundo
lá do mundo do outro

Lançamento de "Confissuras", de Michel Klejnberg

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Trecho de "Diário Vazio"


João é mais um rosto no retrato de uma jovem zona sul carioca, tão distante do glamour do passado em meio à decadência e à violência urbana. Entre festas e farras, a  juventude de João escoa, vertiginosa, até a maturidade, quando seus sonhos se chocam com a realidade mesquinha ao redor. Descobertas e perdas pontuam sua passagem para a vida adulta, até que um atropelamento o força a parar e repensar sua história. O ritmo fluido e o imaginário vibrante da literatura beatnik ecoam ao longo deste romance de formação, traduzindo a busca desenfreada por todo tipo de euforia, barato, emoção. Rafael Leiras expõe os ritos de passagem, os erros e acertos de um grupo de jovens de classe média, escancarando o vazio existencial de uma geração embalada a drogas, música pop e (des)ilusão.

Leia abaixo um trecho selecionado do romance de estreia de Rafael Leiras, "Diário Vazio":

"Terminou o primeiro semestre de aulas na faculdade, mas não havia nada realmente interessante a escrever sobre isso. A universidade era um reflexo do mundinho em que fingimos viver: veteranos disputando o troféu de babaca do ano, calouros arrogantes metidos a gênios precoces, burocratas disfarçados de professores. Além dos personagens corriqueiros: vagabundas, bichos-grilos, patricinhas, nerds, esquerdistas radicais de butique, viciados, bichas enrustidas, pseudointelectuais. Em torno dessa fauna girava o teatro de vaidades com dezenas de jovens atores canastrões reunidos, todos com seus pequenos egos inflados pela conquista de uma vaga na conceituada instituição. Grande merda. Confesso que algumas vezes sentia um impulso quase irresistível de explodir uma bomba no auditório lotado, durante uma daquelas palestras insuportáveis de alguma sumidade do jornalismo. Mas tudo bem, eu sobreviveria. Não cometeria um desatino. Quatro anos não demorariam tanto assim. Depois, adeus. Faculdade nunca mais.

Não esperava mesmo grande coisa quando pisei pela primeira vez naquele equívoco arquitetônico na zona norte do Rio, vizinho do estádio do Maracanã. Desde o primeiro dia tudo me pareceu uma grande farsa. Impossível esquecer de uma sexta-feira na segunda ou terceira semana de aula, após aquele lapso de tempo que os veteranos usavam para fazer os calouros acreditarem que estavam livres do trote. A turma inteira caiu na cilada. Era a data marcada para a festa de boas-vindas, organizada pelos veteranos com o dinheiro arrecadado por nós. Estava animado com a perspectiva de uma noite regada a álcool e moças com pose de futuras jornalistas. Só me dei conta de que tinha caído na armadilha quando, no fim da última aula, um veterano entrou na nossa sala e pediu licença ao professor para dar uma palavrinha aos novos colegas:

– Oi, pessoal. Hoje, vocês devem se lembrar, é dia da nossa festinha. Mas antes teremos outra atividade. Quando a aula terminar, podem esperar aí mesmo, sentadinhos e comportados. Até logo!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Eu perguntei pro velho se ele queria morrer (e outras estórias de amor) - Finalista do Jabuti

Amores românticos, ingênuos, perversos; condenados, ou florescendo na violência do vazio; amores de perdição ou de redenção. Em Eu perguntei pro velho se ele queria morrer (e outras histórias de amor), José Rezende Jr. tece uma rede de microuniversos, explorando, uma por uma, as múltiplas nuances do amor.

Leia O amor surdo, mudo, morto, uma das estórias desta obra finalista do Prêmio Jabuti na categoria de contos e crônicas.


O moço gesticula feito louco. Agita os braços, abre e fecha as mãos, move os dedos, risca o ar com raiva surda e muda. De vez em quando a moça balança a cabeça, encenando um “não” de incredulidade e tristeza. A briga chama a atenção dos pedestres que esperam a travessia da pista, nem tanto pela desavença em si, mas pelo silêncio estridente em que o amor acaba.

O moço vira as costas. A moça pousa levemente a mão no ombro dele, depois aperta com força, faz com que ele a olhe nos olhos. Agora é ela quem gesticula. O olhar dele tem faíscas. As mãos dela trovejam mágoas. Brigam em silêncio, porque não conhecem outro brigar e porque foi assim, com a linguagem secreta das mãos, que teceram ao longo do tempo este amor quieto, inquieto, prestes a se perder para sempre.

A moça eleva o tom dos gestos, o moço interrompe, segurando os pulsos dela: não quer ouvir mais nada. Tendo as mãos caladas, a moça tenta falar com os olhos, mas o moço desvia o olhar. Ela abre a boca, quer que ele a escute, mas de sua garganta muda sai apenas um grunhido de desespero, que o moço não pode nem quer ouvir.

O moço volta ao ataque, agita os dedos na altura do rosto dela. A moça cobre os olhos com as mãos para não ter que ouvi-lo. Ele a agarra outra vez pelos pulsos, exige que os olhos dela escutem toda a sua raiva. A moça não quer acreditar que as mãos que ainda ontem contavam histórias de amor pelo seu corpo inteiro sejam as mesmas que agora lhe açoitam a alma.

Coletivo Cachalote

No passado dia 25/08 o Cachalote Coletivo (Elisa Pessoa, Nana Carneiro e Gab Marcondes) + Valeska de Aguirre se apresentou nos 20 anos do CEP 20.000.

dois pontos
: na página seguinte
(como se levitasse um segredo)
pequenas lantejoulas,
grandes janelas
: na página seguinte
(como se evitasse o presente)
equilibrava vagalumes
no som de flautas afogadas
roía o tempo
esse nunca entender o depois
(como foi sempre)
na página seguinte:

Gabriela Marcondes


As horas que deitam a noite 
me perseguem com palavras 
quase escritas 
gostaria de compor placas para cegos 
o vento nas mãos aumenta a intensidade da escuta 
enquanto o calor excessivo deixa as palavras intocáveis 

é como aquela informação sobre meteoros 
que a rádio do vizinho sintoniza 
algo em torno de bases eletrônicas na lua de marte 
ele discursava sobre a nave-mãe, mothership 
enquanto eu achava graça 
daquele movimento de mãos ajeitando o cabelo que caía no rosto 

o tempo da imagem – os 4 boleros da separação – o universo em torno 

Valeska de Aguirre

Poema de "Monodrama", finalista do Prêmio Portugal Telecom 2010



Foto: Rafael Moraes

Leia um dos poemas de Monodrama, de Carlito Azevedo, que concorre à 8ª edição do Premio Portugal Telecom 2010

PÁLIDO CÉU ABISSAL
que não nos protege,
é antes cúmplice, ou mentor
intelectual dessas ruínas,
de nossas mentes estropiadas.
Ao passar por certas casas e ruas
suburbanas, ocorre às vezes
de nos depararmos com algo
que brilha deslumbrante e dissimétrico,
e nos comove a ponto de nos
perguntarmos se de sua aparição
escandalosa, sua cauda
luminosa de átomos e vazio,
poderão surgir algum dia
moças asseadas em vestidos
de flores, conduzindo pela
mão crianças bem penteadas
para a Escola Municipal,
o Sonho Municipal.
Parei um dia em uma dessas
praças e, deitado sobre a
grama, me pus a escutar a
desconexão absoluta de
todas as falas do mundo, de
todos os sonhos do mundo.
Ao levantar-me para buscar
um pouco de água no tanque
vazio vi (me encarava)
uma ratazana que ainda
assim me lembrou
Debra Wingers
abandonada no deserto.


Para ler outro poema clique aqui.

"Monodrama", de Carlito Azevedo, é um dos 10 finalistas do Portugal Telecom 2010





Monodrama, do poeta Carlito Azevedo é um dos 10 finalistas do Prêmio Portugal Telecom. Os vencedores (1º, 2º e 3º lugar) serão conhecidos no dia 8 de novembro. Confira abaixo a lista completa dos finalistas dessa 8ª edição:

A Passagem Tensa dos Corpos, de Carlos de Brito Mello (Companhia das Letras)
Avó Dezanove e o Segredo do Soviético, de Ondjaki (Companhia das Letras)
Caim, de José Saramago (Companhia das Letras)
Lar, de Armando Freitas Filho (Companhia das Letras)
Leite Derramado, de Chico Buarque (Companhia das Letras)
Monodrama, de Carlito Azevedo (7Letras)
O Filho da Mãe, de Bernardo Carvalho (Companhia das Letras)
Olhos Secos, de Bernardo Ajzenberg (Rocco)
Outra Vida, de Rodrigo Lacerda (Alfaguara/Objetiva)
Pornopopeia, de Reinaldo Moraes (Objetiva)
 

satara