terça-feira, 31 de agosto de 2010

Mauricio Stycer escreve sobre "Uma história à margem", do Chacal


Confira a entrevista que Chacal deu ao jornalista Mauricio Stycer sobre seu livro Uma história à margem, no portal da UOL. Clique aqui para ler.

Maurício também escreveu sobre um episódio do livro em seu blog.

Foto: Folhapress/1983

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Poemas de "Verão em Botafogo"

Leia uma pequena seleção de poemas publicados no livro Verão em Botafogo, de Thiago Camelo.


NOVEMBRO EM BOTAFOGO

cuidar dos dentes pra tomar café
postura firme pra saber curvar

dia cedo
madrugada boa

lembrar: distraído encontrar você

sonhar
mas ser


DEVAGAR

ai que medo de tudo
como se fosse eterno terminar

três passos pra cá e já me sinto bem

com calma no olhar ver a vida sempre à toa

três passos pra cá e já me sinto bem


INVERNO NO JARDIM BOTÂNICO

muita saudade

flor lilás, ladeira, frio e vazio
tudo o que não existia agora sou eu

Lançamento de "Verão em Botafogo", de Thiago Camelo



A Editora 7Letras e o Boteco Salvação convidam para o lançamento do livro "Verão em Botafogo", de Thiago Camelo.
Segunda-feira, dia 30 de agosto, a partir das 20h.
Boteco Salvação - R. Henrique de Novaes 55, Botafogo.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Fernando Pessoa, plural como o universo



A partir de hoje até 30 de janeiro de 2011, o Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, abrigará a exposição Fernando Pessoa, plural como o universo. A mostra tem como tema principal a multiplicidade da vida e da obra do poeta, que se revela nos versos de seus vários heterônimos e personagens literários.

Além de poemas impressos e projetados, fac-símiles de documentos, imagens de Pessoa e quadros de pintores portugueses, a exposição conta ainda com um vídeo feito pelo documentarista Carlos Nader e roteiro de Antônio Cícero.

Mais informações em www.visitefernandopessoa.org.br

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Uma estreia com força e voz própria

Rasteira no campo de caniços, de Narjara Medeiros ganhou uma resenha no "Prosa e Verso" d'O Globo, neste sábado, 21 de agosto. Leia o texto de Mariana Ianelli:





Uma estreia com força e voz própria
Narjara Medeiros faz da angústia a matéria das histórias singulares em seu primeiro livro
Mariana Ianelli

Escritor avesso a filiações, Lúcio Cardoso dizia acreditar apenas “no romance feito com sangue, e não com o cérebro unicamente, ou o caderninho de notas, no que foi criado com as vísceras, os ossos, o corpo inteiro, o desespero e a alma doente do seu autor”. A citação é mais que oportuna para falar do recém-lançado Rasteiras no campo de caniços (7Letras), de Narjara Medeiros.
Nascida em Rondônia em 1983, Narjara estudou filosofia e botânica. Com o subtítulo “O delírio dos galos enforcados”, seu primeiro livro reúne sete contos de uma singularidade tal que, embora deixe entrever num primeiro momento a presença de elementos mágicos, ou do absurdo propriamente dito, descrevê-lo por meio de tais comparações seria tão insuficiente quanto dizer de “A luz do subsolo” – para tomar mais um exemplo de Lúcio Cardoso – que é um livro onde predominam matizes psicológicos.


Lançamento de "Uma história à margem", do Chacal, em São Paulo

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Uma história à margem

A história deste artista que circula na contramão da indústria cultural e da Academia não poderia ser uma narrativa linear. Para dar conta de tantos mergulhos, viagens e saltos mortais na matéria da arte, esta só poderia ser uma história à margem.
A memória é uma coisa muito difícil. Você tem uma imagem do que aconteceu na sua adolescência, mas na hora de contar, nada chega aos pés da sua vivência. A memória é o fio condutor de Uma história à margem, romance autobiográfico do poeta Chacal. Uma autoficção singular, como a própria vida deste ícone da poesia marginal.
 
Poemas, artimanhas e aventuras se revezam ilustrando os primeiros encontros de Chacal com a poesia, ainda adolescente, até a expansão da sua verve poética para além das fronteiras do papel na música, performance e teatro.
Sua palavra vívida joga luz sobre a geração mimeógrafo, a poesia marginal e sobre os mais emblemáticos movimentos culturais cariocas das últimas décadas. Sobre a trajetória de todos os personagens que o acompanharam, ao longo dos últimos 40 anos, nessa aventura que é fazer arte pela arte.
 Não sou um estudioso, um sociólogo, nem ao menos um jornalista, nem Heloísa Buarque nem Ruy Castro sou uma pessoa que viveu isso. E é isso que eu queria: poder contar essa história do meu modo. Sem pretensão analítica, intelectual, ou de ser fiel aos fatos, que é uma coisa mais jornalística – a minha coisa é mais afetiva, emocional – comenta.

Uma história à margem



Já saiu do prelo  Uma história à margem, o novo livro do poeta Chacal.

Chacal mergulhou de cabeça, do último andar, na arte de viver a arte — e embarcou numa navilouca repleta das figuras mais emblemáticas da cena cultural brasileira das últimas décadas do século XX para entrar no novo milênio fazendo e refazendo a cabeça das novas gerações. Mais do que uma autobiografia repleta de aventuras, artimanhas e peripécias, Uma história à margem é um verdadeiro manual de sobrevivência de uma arte (da palavra vivida, falada, escrita e sentida) que não se pauta pelos padrões comerciais da cultura de massa.

Em "Chamada para o embarque" (NósOtros) Renata Magdaleno inspira-se em Mis dos Mundos, do escritor Sergio Chejfec, para refletir sobre a relação viagem e literatura.

"Diana Klinger, em Escritas de si, escritas do outro (2007) afirma que a presença do autor na obra, em autoficções, poderia ser vista como um jogo, que brinca com a noção do sujeito real. O leitor encontraria neste tipo de obra um “efeito” de vida real, que se relacionaria com uma falta, uma fome de real presente no mundo contemporâneo, cercado por virtualidades. Um jogo que apresentaria, portanto, um questionamento do sujeito e da verdade. Existe esse real cuja presença podemos sentir ao ler sobre pessoas e fatos verídicos em obras de ficção? Existe esse autor que respinga suas marcas no texto? Ou tudo, no emaranhado de elementos, faz parte da construção ficcional? E ela conclui: “Assim, o que interessa na autoficção não é a relação do texto com a vida do autor, e sim a do texto como forma de criação de um mito, o mito do escritor” (klinger, 2007, p. 50).

Chejfec em seu romance de viagem reflete sobre essa questão. Vemos esse mito sendo construído ao longo das páginas. Ao sair do congresso, o seu protagonista declara: “Quise olvidar el motivo de mi visita a la ciudad y hasta me tentó la idea de olvidar mi proprio nombre y tratar de ser otro, alguien nuevo” (chefjec, 2008, p. 12). Tanto a viagem quanto o aniversário apontam para uma possibilidade de recomeço. Um novo ano que se inicia e uma nova cidade, com ruas nunca antes percorridas, cruzando com pessoas que provavelmente nunca viram seu rosto estampado numa página de jornal.

Coletivo Cachalote no aniversário de 20 anos do CEP 20.000

NósOtros



Português e espanhol convivem intimamente em NósOtros, livro que reúne artigos de pesquisadores e o depoimento de livreiros e críticos literários latino-americanos sobre a literatura que se faz hoje, na América Latina. Cada texto reflete, no âmbito dos estudos literários, a visão de um Brasil e América Hispânica como parte de um mesmo conjunto, complexo e heterogêneo, porém único. Reforçando o intercâmbio de ideias, a obra permite ver como caminham próximos os aparentemente distantes estudos literários latino-americanos nos dias de hoje.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Paisagem com cavalo

Um crime, um assassinato, um mistério, num romance ousado e original, que abre as portas de uma metaficção e leva a linguagem para paisagens distantes. Transitando na fronteira do fato e da ficção, a escrita afiada de Halley Margon segue longe no tempo em busca de vestígios de um crime talvez nem acontecido. Pontuada pelas experimentações e transgressões formais, esta narrativa instigante flerta com o gênero policial para destilar algo de filosófico ao tocar na essência e nos limites da existência.

Leia um trecho de Paisagem com cavalo:

"Depois de tê-la matado só o que desejou foi dormir. Fechar os olhos para sempre. Apenas dormir. Não é o mesmo que morrer, você pensou. E não é. Mas ter cometido o crime fez com que quisesse dormir daquela forma. Tão próxima da morte. E porque ele a encontrou (à mulher) seu corpo passou a se submeter à escravização daquele desejo compulsivo: somente dormir. Vamos ver o que acontece durante o sono, você disse como se pedisse socorro, porque na verdade não consegue ver. Os elementos se misturam e você não sabe se o anseio de dormir veio depois de ter cometido o crime/o assassinato ou se antes disso, muito antes/séculos antes, quando a encontrou pela primeira vez. O fato é que houve essa primeira vez, não houve. Você desejaria despertar porque ao abrir os olhos a verdade iria se mostrar/ revelar, é o que você deveria dizer, mas não consegue abrilos. O sono é muito maior que qualquer outro desejo que ele (você) já tivera. Era o maior de todos os desejos e sufocava os demais. E à parte essa impossibilidade (dramática, você reconhece) há ainda a necessidade de relatar, necessidade cuja origem desconhece. Um impulso (nebuloso), uma atração (misteriosa), a (inexpugnável) força da gravidade atuando sobre um corpo em queda livre rumo ao fundo de um abismo, uma ocupação/ atividade rotineira, mas aparentemente inevitável."

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Beleza erguida da melancolia seca

Leia a resenha de Beatriz Resende sobre Algum lugar publicada no "Prosa e Verso" d'O Globo no último sábado, 14 de agosto.



Beleza erguida da melancolia seca
Em Algum lugar Paloma Vidal explora as possibilidades da escrita íntima
Beatriz Resende

Em Algum lugar, Paloma Vidal narra uma história aparentemente muito simples, quase minimalista. Na primeira parte do livro, “Los Angeles”, a narradora muda-se para os Estados Unidos, onde espera a chegada de M. O casal precisa preparar suas teses, sobreviver com o dinheiro curto, tentar alguma relação com outros estrangeiros à sua volta, falando mais espanhol do que inglês e, sobretudo, amarem-se e desamarem-se na difícil tarefa de viverem juntos na relação inexorável que existe entre amor e melancolia. M. fecha-se cada vez mais num mundo próprio.  A narradora precisa trabalhar, estudar, lavar a louça e buscar o que a sábia companheira Virginia Wolf chamava de “um teto todo seu”, ou seja, um mínimo de espaço/tempo para seus próprios interesses. M. não aguenta e volta para o Brasil.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Sonia Coutinho fala de "Atire em Sofia"

Em entrevista a Vitor Pamplona , do Jornal A Tarde, Sonia Coutinho fala da reedição de Atire em Sofia.

O que me dá muita alegria é continuar escrevendo

Vitor Pamplona – Jornal A Tarde (Salvador, 26 de julho de 2010)

Vinte anos depois de publicado, Atire em Sofia, romance mais conhecido da escritora baiana Sonia Coutinho, é reeditado pela editora carioca 7Letras.

O livro não ganhou apenas um novo projeto gráfico na capa, mais agressiva que a anterior, mas uma completa atualização da narrativa e de certas expressões, como revela a escritora em entrevista exclusiva a A TARDE. "Não gosto de reler um livro quando termino de escrever. Mas, depois de 20 anos, comecei a reler Atire em Sofia, naturalmente achei muita coisa que eu queria mudar". No processo, termos como máquina de escrever, uma ferramenta absolutamente desconhecida para os leitores mais jovens, foram substituídos por outros mais atuais, como computador portátil. A ideia de atualizar o livro teve consequências inesperadas, como a supressão de um capítulo inteiro. "Achei que era uma outra história, desviava muito da linha da narrativa. Eu tirei e transformei num conto". A decisão, acredita Sonia,deu mais vigor à obra, que conta a história de uma mulher divorciada que retorna depois de muitos anos a Salvador, sua cidade natal – embora o nome da capital baiana jamais seja citado. No regresso, ela se depara com uma cidade quente, marcada por um realismo afro fantástico. E sofre o preconceito e a desconfiança que sua condição provoca na província. O novo Atire em Sofia será oficialmente lançado em Salvador no próximo sábado, às 10 da manhã, na Livraria LDM (Rua Direta da Piedade, com a presença da autora, que mora no Rio de Janeiro há 40 anos.

Atire em Sofia fala de uma mulher que enfrenta dificuldades e preconceitos por viver só e ser independente. Depois de 20 anos, ainda é assim?

Esse problema não é tão insistente no livro. Se formou essa ideia porque eu sempre dei muita ênfase a personagens femininas, e minha literatura gira toda realmente em torno de mulheres. Nesse livro não, tem muitos personagens masculinos. Mas se formou essa ideia,embora lendo e relendo o livro se vê que ele tem muitos outros aspectos. Tem a questão negra na Bahia, por exemplo, que me interessava muito, a questão da hibridização de gêneros.Tem um pouco de romance policial, mas não é romance policial. Tem muito de literatura fantástica, toda hora tem transformações, aparições. Tem uma personagem feminina realmente, a Sofia, que enfrenta problemas porque é uma mulher sozinha, separou de um marido fazendeiro. Mas o livro não tem uma narrativa datada, porque está tudo na memória de uma pessoa. Pode ter acontecido agora ou há vinte anos. Aliás, o problema dela aconteceu muito tempo antes. É uma pessoa que lembra essa história.

Mas as situações pelas quais ela passa continuam atuais? 
Essa é uma questão sociológica, acho que o problema, a questão da mulher, continua complicado. Internacionalmente, não só na Bahia ou Brasil.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

"O corte"

Nesta terça-feira, dia 17, às 21:30, estreia ao vivo no site do Teatro para alguém a peça "O corte", escrita por Paloma Vidal (Algum Lugar e A duas mãos), com direção de Fernanda Sanches e atuação de Carlos Gimenez e Daniel Tavares. Não perca!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Todos os cachorros são azuis - 2ª edição

O romance de estreia de Rodrigo de Souza Leão Todos os cachorros são azuis chega à 2ª edição pela 7Letras.  Já nas livrarias, a segunda edição inclui, além do novo projeto gráfico da capa, a nota do editor Jorge Viveiros de Castro:


Recebi os originais da primeira versão de Todos os cachorros são azuis em 2003, e fiquei bastante impactado pela leitura. Na ocasião, não tínhamos condições de investir na publicação (as mesmas dificuldades de sempre para distribuição e comercialização de autores estreantes), mas entrei em contato com o Rodrigo para comentar minha impressão positiva sobre o texto, tentar uma parceria para viabilizar a edição e incentivar o envio também a outras editoras maiores, pois se tratava de um dos melhores originais que já havia recebido.

A partir dessa primeira conversa, assumi o compromisso de publicar o livro logo que tivéssemos condições para isso – o que só veio a ocorrer cinco anos depois graças ao apoio de uma bolsa oferecida pela Petrobras, que permitiu ao Rodrigo trabalhar na versão final do texto e à editora produzir uma tiragem inicial de 1.500 exemplares.

Durante esses anos, conversamos algumas vezes por telefone (ele não saía de casa) e fiquei impressionado com a lucidez e a clareza com que ele me contava sobre sua condição – a esquizofrenia, os remédios, as paranóias, as internações –, o que só fez aumentar minha admiração pelo seu talento e pela sua arte.
 

satara