sexta-feira, 30 de abril de 2010

Uma cara para tantos nomes sem rostos

Com a web 2.0, e a praticidade de se acessar qualquer informação com apenas um clique, nada parece mais anacrônico que uma lista telefônica. Mas Alex Queral parece ter achado uma nova função para as páginas amarelas. Com faca e navalha, o artista cubano esculpe faces nos livros e depois pinta com tinta acrílica. O resultado é impressionante!





Veja mais imagens aqui.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Poetas da 7Letras no CEP 20.000

Amanhã, 28 de abril, tem CEP 20.000 com a participação dos autores da 7Letras Ismar Tirelli Neto, Laura Liuzzi, Lucas Viriato e Mariano Marovatto.


Aproveite para comprar os livros da editora em promoção e ainda levar um autógrafo dos autores!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Fernando Paiva promove o encontro de Pero Vaz de Caminha com o Curupira




O Megazine (O Globo) de hoje se inspirou na moda de misturar clássicos da literatura com zumbis e outros monstros e pediu que quatro autores brasileiros recriassem histórias consagradas da literatura nacional no mesmo estilo. Entre eles Fernando Paiva, autor da 7letras com Salvem os monstros.

O texto de partida de Fernando foi a Carta de Pero Vaz de Caminha, registro do escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral sobre suas primeiras impressões do Brasil, considerada o marco da literatura nacional. Leia abaixo o texto de Fernando:


Fernando Paiva

Vossa Alteza, na terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram 21 dias de abril, houvemos vista de terra! A saber, primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo, e de outras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos, ao qual monte alto o Capitão pôs o nome de Monte Pascoal e à terra, Vera Cruz!

Mais à frente avistamos homens que andavam pela praia, uns sete ou oito, segundo disseram os navios pequenos que chegaram primeiro. Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Entre eles havia uma moça que era toda tingida de baixo a cima, e certo era tão bem feita e tão redonda, e sua vergonha tão graciosa que a muitas mulheres de nossa terra, vendo-lhe tais feições, envergonhariam por não terem as suas como a dela.

Andavam muitos deles dançando e folgando, uns diante dos outros, sem se tomarem pelas mãos. E faziam-no bem. O Capitão ordenou que alguns de nós desembarcássemos para estabelecer contacto. Comigo vieram Diogo Dias, que fora almoxarife de Sacavém, o qual é homem gracioso e de prazer, e um gaiteiro com sua gaita. Diogo meteu-se a dançar com eles, tomando-os pelas mãos; e eles folgavam e riam e andavam com ele muito bem ao som da gaita. Depois de dançarem, fez ali muitas voltas ligeiras, andando no chão, e salto real, de que se eles espantavam e riam e folgavam muito. No meio da festa, surgiu um exótico mancebo que até então permanecera escondido na mata. Era muito distinto, fisicamente, dos demais. Tinha a pela rosada, os olhos de raro brilho verde e uma vasta cabeleira vermelha flamejante! Talvez fosse para eles o que os albinos são para a gente, suponho. Porém, o que realmente deixou-nos estupefactos foi notar que o rapaz tinha os pés virados para trás! Compreendo que essa descrição soe como fantasiosa, mas juro por Nossa Senhora da Conceição que escrevo exatamente o que vi! Digo mais: apesar dos pés virados para trás, sabe Deus como, andava para a frente! Quando ia, vinha, e quando vinha, ia. Se é que Vossa Alteza me entende... Tinha também unhas e dentes afiados, quase como um animal selvagem. Duvido que fosse humano.... quiçá era um monstro!

Os nativos o tratavam com reverência e o chamavam de "Curupira". Imagino que queira dizer "cabeça vermelha". Ou "pés trocados". Mas bem poderia significar "virtuoso dançarino". Sim, pois apesar de andar para a frente, pisando para trás, o tal Curupira era capaz de dançar como nunca dantes vimos em terras européias. Nem mesmo os dervixes árabes estão à sua altura! Ao som de antigas canções tocadas por nosso gaiteiro, apoiado por rústicos tambores trazidos pelos nativos, Curupira executou passos de uma exótica dança indígena que deixou-nos boquiabertos! Chacoalhava as pernas e os braços, sacolejava a cintura, contorcia-se, dobrava o corpo em improváveis movimentos. Diogo Dias deu-lhe as mãos para que bailassem juntos, ignorando os olhares temerosos dos nativos. Sem jeito, confundiu-se no vaivém dos pés virados de Curupira e chutou-lhe o calcanhar repetidas vezes. Era possível ver a irritação crescente nos olhos verdes da besta. Até que, subitamente, Curupira deu-lhe uma "calcanhada" na barriga e arrancou-lhe o nariz com uma forte e precisa dentada! Os índios acharam graça e ecoaram gritos festivos, alguns rolando na areia de tanto rir, enquanto Curupira mastigava o nariz de Diogo Dias, o sangue a pingar de seus lábios. Aterrorizados, eu e o gaiteiro resgatamos nosso compatriota e fugimos às pressas para o esquife, com o qual remamos até a nau.

E desta maneira dou aqui a Vossa Alteza conta do que vivi em nosso primeiro encontro com o povo desse Novo Mundo... Sinto dizer que se nós portugueses quisermos um dia fincar os pés em Vera Cruz, teremos antes que aprender a dançar. Ou a torcer os calcanhares.


Para ler a matéria na íntegra clique aqui.

terça-feira, 13 de abril de 2010

A medida entre invenção e intuição

Ieda Magri dedicou uma resenha ao romance Algum Lugar, de Paloma Vidal. O texto, publicado no Caderno Ideias do Jornal do Brasil, aponta para as possibilidades de leitura do romance sob o viés do pensamento de Walter Benjamim – aquele que privilegia uma “escrita que condensa vivência e criação literária”.

A medida entre invenção e intuição

Assim começa Rua de mão única, de Walter Benjamim: “A construção da vida, no momento, está muito mais no poder dos fatos que de convicções. E aliás de fatos tais, como quase nunca e em parte nenhuma se tornaram fundamento de convicções. Nessas circunstâncias , a verdadeira atividade literária não pode ter a pretensão de desenrolar-se dentro de molduras literárias – isso, pelo contrário, é a expressão usual de sua infertilidade. A atuação literária significativa só pode instituir-se em rigorosa alternância entre agir e escrever; tem de cultivar as formas modestas...”.

Leia a resenha na íntegra aqui

BEIJO NA BOCA



Aproveite o dia do beijo para experimentar o Beijo na boca, de Cacaso. O livro, que já foi chamado de “a educação sentimental” da geração 68, reúne poemas de amor tensos, apaixonados, curtos e cortantes. Driblando o sentimentalismo, surpreendendo na ironia e incisividade, cada linha deste beijo é feita de desencontro e happy end, colocando o dedo na ferida (“aquela que dói e não se sente”).

Happy end
O meu amor e eu
Nascemos um para o outro

Agora só falta quem nos apresente


Antonio Carlos de Brito, o Cacaso foi uma das mais criativas vozes poéticas dos anos da ditadura, sendo considerado um dos principais nomes da "poesia marginal" brasileira. Sua obra é uma forte referência para os poetas dos anos 70/80 até os dias de hoje.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Carlito Azevedo fala sobre nova página de poemas

Responsável por editar a página mensal de poemas "Risco" (cuja primeira edição circula com o caderno deste sábado, 10/04) em parceria com a equipe do Prosa & Verso, o poeta Carlito Azevedo expõe abaixo algumas de suas ideias em relação à iniciativa e à poesia brasileira contemporânea.

O que você acha da idéia de se publicar poesia em jornal? Por que acha que a imprensa parou de fazer isso?

O que faz toda poesia que realmente interessa é avaliar, em seu momento histórico, quais as possibilidades de felicidade para uma raça que não sabe de onde veio e nem para onde vai, vagando temporariamente por um planeta onde caem raios, a terra treme e o mar, vez por outra, avança imparável em tsunamis devastadoras, e onde, pior que tudo isso junto, o semelhante que o seu coração elegeu para amar pode simplesmente dizer que não lhe ama mais e desaparecer de sua vida. É claro que nenhum poema isolado lhe dará uma resposta sobre isso, nem todos eles juntos, provavelmente. Mas não resta dúvida de que depois que esse mesmo planeta foi visitado por Sófocles, Goethe, Fernando Pessoa, Mário Quintana e Paulo Leminski, por exemplo, ficou mais fácil compreender que, para o homem, mais difícil do que encontrar a felicidade é desistir de encontrar a felicidade, e que o mais desafiante é tornar esse cenário habitável. Os jornais pararam de publicar poesia provavelmente porque o consumo dessa matéria verbal complexa, dessa negação do óbvio, desse elogio do paradoxo, tem outro tempo muito diferente do tempo de consumo de uma notícia urgente. Mas com a variedade de tempos que convivem hoje em um jornal, com seus diferentes cadernos, revistas, suplementos, e com o consequente hábito de se recortar e guardar páginas para leitura mais vagarosa, no tempo certo, também há de haver uma página onde cresça o tempo do poema. Essa concepção aliás é filha da idéia de que o tempo não evolui como uma seta em linha reta, mas cresce como pétalas de uma multiflor. Cada uma em sua direção.

A poesia brasileira contemporânea merece atenção dos leitores?
A música contemporânea merece atenção dos ouvintes? As artes plásticas contemporâneas merecem atenção dos espectadores? O teatro contemporâneo merece atenção da platéia? Como certamente todos estarão de acordo com o fato de o teatro, as artes plásticas, a música e a poesia serem coisas que merecem atenção, creio que a dúvida aí recai sobre a idéia de contemporâneo. O que pode ser traduzido numa pergunta: gostamos de nós? Para julgar uma coisa é preciso observá-la de fora, do exterior, mas como podemos nos observar de fora? Outra questão: será que vemos o que nos cerca como um desafio a ser enfrentado, que estimula a melhor parte de cada um de nós a construir o seu sentido? Ou preferimos negá-lo e assumir a síndrome do paraíso perdido, da época de ouro que não volta mais, lamentando que tudo em volta seja apenas decadência? (...)

A entrevista na íntegra pode ser lida aqui.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Lugar de livro não é só na estante



A artista espanhola Alicia Martin é a responsável por essa escultura de livros, com 12 metros de altura, feita para uma livraria na Austria. A inspiração para a obra, que lembra uma cachoeira de conhecimento, foi a Torre de Babel.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Terra estrangeira aqui ou ali

Em seu primeiro romance, a carioca-argentina Paloma Vidal explora a geografia da intimidade

"Sinto uma solidão terrível desde a partida de M e a necessidade de dizê-lo em outra língua: I feel a terrible solitude. Repito a frase sentada no chão do chuveiro, com as pernas esticadas, que parecem pertencer a um outro corpo. Desde que ele foi embora não saí do apartamento. Descobri que ele fez uma grande compra no supermercado; o armário da cozinha está cheio de enlatados, pacotes de macarrão e garrafas de água mineral. Desconfio que ele estava abastecendo a casa para uma possível catástrofe."


Outlook (Brasil Econômico) 1.4.2010

O que se extrai deste excerto, pinçado ao acaso da narrativa de Algum lugar, de Paloma Vidal (7Letras, 170 págs)? Que a personagem feminina foi abandonada por um incerto M, que a deixou sozinha num apartamento habitado por alimentos neutros, apátridas, e que, estranha a si mesma, só consegue exprimir seu sentimento em uma língua que não a de origem. Somente um trechinho desses nos faz refletir sobre o que seria, em 2010, o tal inzoneiro "romance brasileiro", lotado de coqueiro que dá coco – ainda mais se este for escrito por uma argentina (embora Paloma viva no Rio de Janeiro desde os dois anos de idade). Uma das boas surpresas durante a leitura deste livro é a constatação meio óbvia, mas não menos surpreendente, que o "romance brasileiro", se é que existe, pode ser ambientado em qualquer lugar do mundo.

Aqui, um casal de brasileiros vai morar em Los Angeles; mas, enquanto ele se confina no apartamento, ela se conforma às avenidas largas e desumanas da nova cidade a desbravar. Tanto aqui como lá, a narradora, cuja mãe é argentina, sente-se forasteira – mas isso não tem nada a ver com geografia; a sensação de irrealidade é de ordem metafísica, na dificuldade de apreensão de um mundo em que países e linguagens, passado e futuro têm menos contornos a cada dia. O estranhamento é tal que a protagonista ora é vista na primeira ora na terceira pessoa – o que criaria uma trama gelatinosa não fosse a escrita de Paloma partilhada com rigor sóbrio e elegante. Entre a realidade e a ficção, a terra estrangeira e a pátria, a "ductilidade espacial dos sonhos" sugere à narradora que a única solução possível num mundo que se dissolve é a vida na fronteira – metáfora que se concretiza na comovente cena final deste belo e necessário romance. (Ronaldo Bressane)

Estantes criativas


Gostou da estante acima? É do designer inglês Marcos Breder.
A Casa e Jardim mostra essa e outras ideias bem diferentes para você guardar seus livros. Mais fotos aqui.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

10 regras para escrever ficção

Corte, reescreva, corte, reescreva – e se tudo falhar, comece a rezar. Inspirados em “10 Rules of Writing” do escritor Elmore Leonard, autores de renome revelam ao jornal The Guardian as suas 10 regras pessoais para escrever.

My most important rule is one that sums up the 10: if it sounds like writing, I rewrite it. - Elmore Leonard

Take a pencil to write with on aeroplanes. Pens leak. But if the pencil breaks, you can't sharpen it on the plane, because you can't take knives with you. Therefore: take two pencils. Margareth Atwood

Editing is everything. Cut until you can cut no more. What is left often springs into life.Esther Freud


Put it aside. Read it pretending you've never read it before. Show it to friends whose opinion you respect and who like the kind of thing that this is. - Neil Gaiman

Are you serious about this? Then get an accountant.
- Hilary Mantel

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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Não julgue um livro pela capa

Na era do e-book, não podemos nem mais julgar um livro pela capa

Bindu Wiles was on a Q train in Brooklyn this month when she spotted a woman reading a book whose cover had an arresting black silhouette of a girl’s head set against a bright orange background.
Ms. Wiles noticed that the woman looked about her age, 45, and was carrying a yoga mat, so she figured that they were like-minded and leaned in to catch the title: “Little Bee,” a novel by Chris Cleave. Ms. Wiles, a graduate student in nonfiction writing at Sarah Lawrence College, tapped a note into her iPhone and bought the book later that week.


Clique aqui para continuar lendo a matéria, publicada no New York Times.
 

satara