quarta-feira, 3 de novembro de 2010

"Nona", de Erika Mattos da Veiga


A escrita sedutora e labiríntica de Erika Mattos da Veiga enreda o leitor já nas primeiras linhas com o voo da menina de cabelos loiros aos braços de Dindinha, – menina que desperta, anos depois, em um avião, com a mão de uma comissária aterrissando em seu ombro. Em meio à miséria kitsch do aeroporto, ela embaralha memórias da infância: a mãe lânguida encerrada no quarto, os dedos artríticos da babá, o olhar reprovador do pai, as flores da árvore em frente ao seu quarto de menina, dançando numa voragem cor de laranja.
Explorando com precisão as torpezas – e belezas – e a fragilidade humana, o universo ficcional caleidoscópico de Nona encanta do início ao fim, confirmando a autora como uma das vozes mais singulares da nossa literatura.  

Um comentário:

  1. Com "Ressaibo", Erika Mattos da Veiga filiou-se à mais nobre linhagem da ficção brasileira, a que pertencem Lúcio Cardoso, Cornélio Pena, Dyonélio Machado e Clarice Lispector, para citar apenas alguns. Que "Nona", o seu segundo romance, satisfaça a expectativa com que o aguardamos.

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satara