quarta-feira, 9 de junho de 2010

ficção e autobiografia

Quais são os limites entre ficção e autobiografia?
Para responder a essa pergunta, o JB reuniu as escritoras Paloma Vidal e Tatiana Salem Levy numa conversa sobre as fronteiras entre realidade e ficção. Paloma, que publicou em 2009 o romance Algum Lugar e Tatiana, autora de A Chave de Casa (Ed. Record), exploram as relações entre real e ficcional, personagem e autor em suas obras literárias.

JB: A autoficção representaria o desejo do público de hoje por um compromisso com a “verdade” (podemos citar o sucesso dos reality shows)?

Tatiana: A autoficção é bem diferente dos programas ou dos textos que têm um compromisso com a “realidade”. Seu propósito é justamente o de embaralhar realidade e ficção, diluir seus contornos, mas nunca em proveito do referente, do que está fora do texto. Autoficção continua sendo literatura, embora procure dissolver as fronteiras entre autor, narrador e personagem. O compromisso com a verdade é o mesmo que o de qualquer texto literário: não tem nada a ver com ser ou não ser fiel à realidade. A literatura é essa eterna contradição: buscamos a verdade através da mentira. Muitas vezes, quando nos atemos demais aos fatos, mais nos distanciamos da verdade. É uma ingenuidade achar que ela se encontra nisso a que chamamos de “realidade”.

Paloma: Com certeza, é possível estabelecer uma relação entre diversos fenômenos que buscam um contato com a “vida real”. Acabei de traduzir um livro da argentina Leonor Arfuch chamado O espaço biográfico, em que essa trama complexa que envolve múltiplas esferas, como a literatura, a arte, as ciências sociais e os meios de comunicação, é muito bem exposta. Trata-se efetivamente de uma discussão muito ampla sobre um percurso que tem mais de dois séculos, de crescente demanda de exposição da subjetividade, da verdade do sujeito, de sua intimidade, que na contemporaneidade se acirrou de maneira exemplar. O romance é uma instância desse percurso, como também o são a autobiografia, as cartas, os livros de viagem, o diário e várias outras formas que têm o indivíduo como figura central. Agora, dentro desse processo histórico, acho que há formas problematizadoras e outras cristalizadoras. (...)

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Para saber mais sobre a presença da primeira pessoa na literatura contemporânea leia Escritas de si, escritas do outro, de Diana Klinger.

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